O eterno humor de um raro gênio

destrinchar a face. como um portal perfeito de novas criaturas, rostos. remendar o sentimento explorando elegância de passos e risadas. esbaforir trejeitos, geniais sujeitos, uma aquarela de comicidade e vontade de morrer de rir.

parar, esticar, estatuetar. glorificar o caos do silencio. palmilhar o fio tênue, carcaça por onde desfila o ridículo e o gênio. descascar intuições e marcações. subverter a lógica de museu, ri de si e do mundo. rir indo rindo. sapecar o gracejo improviso raro. comer vomitando e depois engolir. ri da desgraça da dança esquizofrênica ímpar. burilar bolsos, paletós, brilhantina e chicletes. roubar a cena, como um intragável demente. subir socorros. estatelar-se de gestualizações e comédias desmedidas. fabricar-se a cada instante. produzir novos grunhidos e mambembes arrodeios de arruaças. protagonizar um escândalo sorriso, síncope de um ícone sem par. abusar do crucial momento polvilhado de reentrâncias do negro humor, banhado de premiações e solidão.

o cômico é o mais solitário ser. pois ele carrega consigo o sorriso dos outros. desengaveta simulações do óbvio, que chega a mexer com o inconsciente humano. produz a adrenalina que os outros, irresponsavelmente se livram. massageia o coração dos desconhecidos que passam pela tela como se fossem obsessivos objetos de uma trama urdida por uma mente brilhante, rara, sem igual. essa mente resiste ao pântano do deserto da sociedade cada vez mais destituída. cobre de um lacre criativo, o real gasto e impróprio. pois assim, Jerry leva e lava a vida. como uma inesgotável fonte da ludicidade que o acompanha sem cansar. dorme inventando cenas, longas faces que ao passar do sono, ganham vida e o estrelato por onde ele caminha tão catalisador de novas alucinações lúcidas. ele sabe por onde andar nessa linha tão imperceptível para os olhos dos outros que choram e sorriem.

adormece e sonha com outra galáxia. novos seres. novas ruas. tudo tão diferente e princípio de um outro começo. de um outro novelo. que rapidamente se prolonga. como uma nova cara, face, rosto. como uma nova armadura amorosa e inesgotável. como uma nova história entre nuvens de gracejos e porvir. pois o homem que faz a humanidade sorrir, merece ser eterno e sempre lembrado. como fruto da sua irresistível vontade de transpor retinas e passos. tudo passa. menos o idioma de uma arte tão única, cerebral e apaixonante. sêmen, célula da veia que se perpetua e engrandece. vai Lewis e leva consigo sua saga de sina inesgotável. infinita, que não finda.

Poeta vive da poeira do tempo. Ele se lambuza de paisagens e silêncios. Fabrica sua própria urdidura. Metamorfoseando-se na nomenclatura da rua. Poesia só serve se servida for sangue. De Natal. Sou de Natal, sentindo a agonia do mundo. Poesia aqui eu estou. Que venha e me leve para outro lugar fora da pasárgada. Fui. [ Ver todos os artigos ]

Comments

There is 1 comment for this article
  1. Cellina Muniz 24 de Agosto de 2017 23:31

    Se era pra falar de humor, ficou bem húmus…

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