O Futebol: nem Arte, nem Ciência

Apesar de toda paixão do brasileiro pelo futebol ainda deixa muito a desejar o que se escreveu sobre futebol no Brasil. Em minha opinião as melhores realizações aconteceram no campo da MPB. São muitos os sambas que enaltecem os clubes e seus jogadores. Wilson Batista e outros escreveram páginas antológicas.

Um belo livro sobre futebol é “O Sapo de Arubinha” do Mário Filho (irmão do Nelson Rodrigues).
Quando ouço (estarrecido) a declaração de um jogador de que não existe amor pela camisa; existe o comércio, o dinheiro, etc. Lembro da célebre frase do dramaturgo Nelson Rodrigues – alguém que escreveu páginas antológicas sobre o futebol – “O Brasil é a pátria de chuteiras”. O cérebro de alguns jogadores está na chuteira. Vida breve de alguns poucos que recebem zilhões para chutar uma bola e dizerem asneiras. A seleção brasileira é formada na sua maioria por jogadores que vivem fora e pouco conhecem do Brasil.

Futebol: Nem Arte nem Ciência

Aos poucos vai-se constituindo um arcabouço histórico-cultural do futebol. É verdade que o futebol pode alcançar aquilo que se aproxima da arte. Mas, futebol, não é arte e muito menos ciência. Embora possua elementos de ambos. No uniforme do jogador e na bola que rola existem componentes que refletem e incorporam um conhecimento científico. Na impossibilidade de se prever um resultado está embutido um componente probabilístico. São muitas as possibilidades que se oferecem num campo de futebol, a entropia aumenta quando aumentam essas possibilidades e o tamanho do campo.

Quando Roberto Carlos bate, com efeito, na borda da bola e ela faz aquela curva também é ciência. Embora ele não entenda nada de torque e momento angular. Muitos consomem ciência sem saber que estão praticando. O Futebol se tornou mais técnico e menos espetáculo. Joga-se para obter resultado. Estamos cada vez mais distante do futebol-arte de Garrincha. A velha máxima de Gerson ainda prevalece: jogo para me dar bem. Para obter vantagem. Pretender que o futebol seja arte, é demais.

O Futebol não possui aqueles elementos oníricos, simbólicos e eternos que constituem a verdadeira arte. Aqueles elementos de transcendência que fazem o homem se aproximar do criador. Na copa de 2006 acrescentamos mais uma ao folclore cultural do futebol. O técnico da seleção brasileira, teimoso e solitário, diz: – Ganhar é que é bonito. Será? Muitos ganham tanto de forma tão feia. Nem sempre o melhor ganha. O futebol é mesmo uma caixinha de surpresas, que está longe da verdadeira e honesta arte.

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Comentários

There is 1 comment for this article
  1. Marcos Silva 24 de maio de 2010 14:00

    Joãozão:

    Seja mais flexível, o técnico da seleção brasileira de 2006 não é “o futebol”!
    Embora não se constitua exatamente em minha praia (quando joguei, destaquei-me entre os pernas de pau), opino que pode ser arte, pode não ser – ciência não é, embora algumas ciências o estudem. E verdadeira e honesta arte parece coisa de Damas de Santana (lembra das peças, nos anos 80, com a ditadura se findando?).
    Meu ex-orientando Raul Milliet Filho entende que é arte, associa a samba e outras coisas nossas: MILLIET FILHO, Raul. Cenários e personagens de uma arte popular: Futebol brasileiro, hegemonia, narradores e sociedade civil. Tese de Doutoramento em História Social, defendida na FFLCH/USP. São Paulo: digitado, 2009.
    Abraços de perna de pau:

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