O futuro do livro

TC

Três entrevistas (trechos abaixo), mais o texto de Umberto Eco, que postei de ontem pra hoje remetem às mudanças nas áreas editorial e literária. Dois editores e dois escritores comentam o tema.

Gary Shteyngart: No Japão, por exemplo, os romances para celulares são best-sellers. Houve um deslocamento da narrativa, nos EUA. Ela não acabou, claro, mas as pessoas educadas que liam livros agora assistem às séries da TV a cabo.

Robert Feich: O livro de papel vai acabar? Por enquanto não. Temos um universo muito grande de pessoas que só agora está entrando no mercado da cultura. Isso deve garantir mais um período de crescimento das livrarias nacionais.

Bob Stein: O mercado editorial vai passar pela mesma crise da indústria fonográfica? Sim, é bem parecido. As editoras acreditam que o que aconteceu com as gravadoras e a indústria do cinema não acontecerá com elas. Infelizmente não é verdade. No Pirate Bay é possível encontrar milhares de livros, muito mais do que seremos capazes de ler a vida inteira.

O texto de Umberto Eco retoma o tema do fim do romance. Não apresenta nenhuma novidade, tanto que remete a questão à falta de assunto dos jornais.

Os quatro posts estão entrelaçados e remetem, em graus variáveis, às mudanças radicais que ocorrerão na seara livresca e literária.

O que Shteyngart anuncia é o que venho dizendo há tempos. O segmento editorial sofrerá as mesmas agruras vividas pelos setores de música e cinema. Por pura burrice, uma vez que teve tempo para se antecipar às mudanças. Infelizmente, fez vista grossa ao que ocorreu nos mercados de CDs e DVDs. Pagará o preço pela cegueira.

O livro não vai acabar. Muito menos o romance. Mudarão os suportes, que afetarão o modo como livro e romance são feitos e consumidos.

Marshall McLuhan (Os meios de comunicação como extensões do homem. Cultrix, 1974.) já preconizava isso: “Os suportes da comunicação e as tecnologias são determinantes na mensagem: os conteúdos modificam-se em função dos meios que os veiculam”. É que mostra Bob Stein, com exemplos, e eu concordo com tudo que ele disse na entrevista.

Essas mudanças independem da nossa vontade e não importa se achamos o modelo antigo melhor ou pior. Portanto, é inútil esbravejar. Tem gente que ainda prefere a máquina datilográfica, no futuro também terá quem prefira livro impresso. Há lugar para todos no mundo.

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