O guia mais ou menos definitivo para degustar uma cerveja

Salve, lupulista! Ei, não me diga que você começou os trabalhos antes de eu chegar! Pelo menos você bebeu essas cervejas direitinho?

Quando eu falo em beber direitinho, não estou me referindo à quantidade (embora também seja um parâmetro válido), mas se você está dando o carinho que elas merecem. Pode parecer frescura preciosismo, mas asseguro que apreciar uma cerveja em seus detalhes vai fazer valer muito mais a pena cada suado talquei investido.

Ser aquele cara que todo mundo da bar fica olhando enquanto você chacoalha a taça pode parecer constrangedor, mas acredite: já foi muito mais. Nós, cheiradores de copos, estamos ganhando aceitação pelos bares afora.

A seguir, vamos falar quais são as etapas básicas para se realizar uma gestão sensorial.

“Você não quis dizer ‘análise sensorial’?”   É mais fácil você ouvir alguém dizer que realiza uma análise sensorial quando ela está avaliando as características de uma cerveja. Mas o uso desse termo é de certa forma equivocado nesse caso. Eu explico.   Em termos científicos, uma análise sensorial se aplica a 3 casos: – Quando você compara dois ou mais produtos distintos; – Quando você avalia a aceitação de um grupo por um ou mais produtos; – Quando você contrata uma equipe treinada de provadores para avaliar um produto.   Então, se você está avaliando sozinho um único produto, o termo “gestão (ou avaliação) sensorial” é mais indicado.

Passo 1: o ritual

É o momento em que você tem o primeiro contato com a cerveja e o primeiro sentido é ativado: a audição. Além de maravilhoso, o som de uma garrafa ou lata sendo aberta é o primeiro indicativo da carbonatação de uma cerveja.

Não se reprima e agora ative o olfato: encoste o nariz na boca da garrafa ou da lata e sinta as primeiras impressões do aroma. Nas cervejas com lúpulos mais evidentes, é quando você toma o primeiro jab.

Passo 2: serviço

Chegou a hora de ativar a visão. Perceba como a cerveja se comporta quando preenche o copo. Assim que ela for devidamente acomodada, encoste o nariz novamente e aspire profundamente. Que aromas você sente? Doce? Salgado? Amargo? Ácido? Lembra algum alimento ou momento afetivo? Dê uma leve chacoalhada no copo, em sentido horário ou anti-horário, e faça a mesma avaliação. Surgiu algum aroma novo?

Agora iremos avaliar a aparência da cerveja. Ela é transparente ou turva? Brilhante ou opaca? Como você definiria a cor dela? Ela formou muita ou pouca espuma? De que cor a espuma é? Ela permaneceu ou se dissipou com pouco tempo de servida?

Passo 3: o gole (agora vai!)

Enfim, o momento recompensador de levar a cerveja à boca. Faça com que o líquido envolva toda a língua. Aqui, misturamos os dois sentidos que faltavam serem ativados: paladar e tato.

Sobre o sabor, faremos a mesma avaliação que fizemos com o olfato no Passo 2 (doce / salgado / amargo / ácido?).

 Em seguida avaliaremos as sensações de boca. Essa etapa levará um pouco mais de treino para distinguir, mas fica mais fácil a cada nova tentativa:

– O(s) sabor(es) sentido(s) vai(ão) embora logo depois do gole ou permanece(m) por muito tempo? A isso damos o nome de persistência.

– Quando ela chega à língua e garganta, você sente a cerveja mais áspera ou aveludada? Isso é o que chamamos de textura.

– No gole, ela se parece mais próxima de água ou de um milkshake? É o que chamamos de corpo (um dos maiores equívocos do cervejeiro iniciante, que chama de “encorpada” uma cerveja mais forte queo comum).

– Quando passa pela garganta, ela refresca ou dá uma queimada? Aí estamos nos referindo a aquecimento.

Também é divertido fazer esse exercício entre amigos. A sua opinião bateu com a deles? Ou houve muita diferença entre uma avaliação ou outra? Na melhor das hipóteses, compartilhar a experiência torna a coisa mais divertida e você fica menos acanhado do que fazer sozinho.

Meu caro lupulista, espero que esses passos lhe tenham sido úteis para aprofundar a apreciação do nosso querido líquido. Em breve, bateremos um novo papo sobre o assunto, tranquilo?

Não esqueça os 10% do garçon e… Beba la revolución!

Sommelier de Cervejas e Técnico Cervejeiro [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

cinco × 5 =

ao topo