O homem encadernado

Um “bon vivant” era o que se podia dizer daquele homem. Gostava da vida e dos seus prazeres. Inteligente sabia que é preciso aventurar-se e que a maior aventura é conhecer a si mesmo e por tabela a tara dos outros. Tudo ele procurava nos livros. Gordo. Fazia todas as dietas: Coma mais e perca peso. Como viver mais comendo melhor. Sua biblioteca era uma auto-ajuda. Encontrou ate um livro que ensinava uma dieta negativa. A comida entrava como um fator negativo no peso.

Para tudo formava uma grande coleção. A biblioteca do amor, da gastronomia, do jogo, da bebida, da leitura das mãos e de como se aperfeiçoar na profissão.

Para conquistar uma mulher aprendeu todas as táticas. Da yoga tântrica, kama-sutra – a teologia hindu- e todas as técnicas de respiração ele aprendeu para melhor satisfazer a mulher. Para se curar fazia todas as mezinhas, aprendidas nos livros. Como fazer sexo depois dos 40, 50, 60, etc. As várias etapas de um casamento. Como vestir bem e falar para impressionar, tudo ele aprendeu nos velhos alfarrábios que coleciona avidamente. Dar nó na gravata e nos trouxas que morriam de medo da sua verve e força. Um grande jogador aprendeu tudo sobre o azar e blefes. Ficou especialista em probabilidades.

Para aprender ainda mais sobre as mulheres, leu a vida de todas as cortesãs da história. As grandes amantes, concubinas e até call girls. No caso de alguma doença sexualmente transmissível ele também tinha uma senhora coleção. Um dos seus livros de cabeceira era o romance a “Escrava do Vicio” da Brigite Bijou. Lia com sofreguidão o “Instinto Sexual” do Arthur Schopenhauer. O amor é vida parecia ser o seu leit-motiv. Comer também. Jogar Também.

Estudou profundamente a relação do sexo com o poder. Certa vez travou uma renhida discussão com uma amiga sobre o poder do homem na relação. Leu também sobre a sodomia como uma compulsão sado- masoquista. Esses livros ele escondia da família, assim como aqueles livros que lia com uma só mão.

Para compreender melhor as mulheres e os outros ele leu tudo sobre as doenças neuróticas e psico-somáticas. A relação Freud Young. Erich Fromm e seus estudos sobre o homem. De tudo ele tinha a fundamentação teórica. Só não sei se conseguiu conquistar ela. Só não sei se conseguiu emagrecer com todos aqueles manuais de tortura.

Ele é fofinho. Ele é o homem encadernado e “Passado na Casca do Alho”.

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