O humor essencial

Não foi somente o “Casseta e Planeta” que exauriu sua fórmula na televisão brasileira.

Pelo que vejo,  àquele programa humorístico superado por novas e vitoriosas alternativas, como o “Pânico na TV” (liderado, na Rede TV, por Emílio Surita) e o “CQC” (comandado, na Band, por Marcelo Tas), junta-se o Talk Show do gordo Jô Soares.

Não sei se em face da idade ou se por algum outro motivo, Jô não guarda mais aquela velha agilidade para fazer entrevistas como algumas ótimas que fez no passado. E o seu humor – que ainda insiste em gotejar em meio aos questionamentos aos entrevistados – não tem mais o caráter do inusitado e do novo.

Para mim, é uma pena. O programa do Jô costumava preencher algumas boas horas de insônia. Mas, hoje, confesso que prefiro alternar os canais da TV a cabo, em busca de alguma programação com mais dignidade. Animal Planet, por exemplo. rsrsrs

Curiosamente, fórmulas humorísticas antigas e aparentemente batidas, como o “Zorra Total” e “A Grande Família” continuam agradando e, de uma certa forma, até se renovando.

Também estou adorando os “Caras de Pau”, Leandro Hassun e Marcius Melhem. Talento a toda prova. Esses caras vão longe!

O programa “Junto e Misturado” de Bruno Mazzeo (filho de Chico Anysio) parece ter somente pretensão. Acredito que não pegou.

O “A praça é nossa” é somente chato, como o seu vetusto apresentador. Não vale a pena falar muito.

No que respeita ao programa do Tom Cavalcanti, não consigo assistir por dez minutos. O cara é dono de um humor vulgar e grosseiro. Acredito que está desperdiçando o seu talento.

Outro que não dá mais nada de interessante é o Renato Aragão e sua “Turma do Didi”. Tenho muitas saudades daquele velho e genial programa de humor ingênuo, “Os Trapalhões”, com a presença dos hilários Muçum e Zacarias. Era o doce de domingo na minha infância.

Mas, a nota mais triste relativa ao humor na TV é a doença de Chico Anysio. De longe, o nosso maior humorista. Esse, sim, um gênio imortal.

De qualquer forma, mantenhamos o humor. De repente, podemos descobrir que há alguns bons e quixotescos comediantes ao nosso redor. Os “bobos da corte” de nossos cotidianos.

Aproveitemos, pois, para soltar o riso. E bem alto!

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

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