O Livro como eterno objeto do desejo

A José Mindlin

“Somente eles, os poetas, são dos veros deuses a voz” – Pierre Ronsard
(1524- 1585)

Todas as formas de leitura são válidas. Os ebooks e audiobooks são bem vindos. O Livro continuará sendo a maior invenção da humanidade. Lê dá trabalho. Lê é difícil e as coisas boas costumam ser difíceis. No livro a maior fonte de sabedoria. O livro também pode ser uma obra de arte. O livro impresso jamais será substituído. Um livro bem encadernado em Velin e ou impresso em tipos Bodoni.

Nada se compara a um livro ou revista editado na prensa do editor italiano Franco Maria Ricci. De Florença são dois dos maiores artistas da humanidade: Botticelli e Dante. O pintor ilustrou uma edição da Divina Comédia numa bela conjunção de talento e primor de livro como obra de arte insubstituível. Objeto, mesmo, de desejo.

No Brasil temos pouca tradição na feitura de livros como obra de arte. São belos os livro editados no Recife pelo Gráfico Amador. Atualmente, a Confraria de Bibliófilos do Brasil tem editado livros muito bem acabados e ilustrados em papeis especiais.

Um outro belo livro editado no Brasil foi “O Rio”, do João Cabral de Melo Neto, com quatro serigrafias da artista plástica Fayga Ostrower.

Da França são alguns dos mais belos livros editados no mundo. Lê-se com grande prazer estético e literário ao Fausto do Goethe com as litografias do Dalacroix, edição de 1828.

Outro grande editor francês foi o Albert Skira. Um dos livros editados pelo Skira foi “Florilêge des Amours de Ronsard ilustrado pelo grande pintor Matisse, em 1948 ( reprodução em Anexo). O príncipe dos poetas teve a sensibilidade e o talento do traço Matissiano na feição de um livro que nenhum meio digital – eletrônico substituirá. A leitura de um livro é um dos maiores prazeres que ao homem foi permitido. E se for ilustrado por alguns desses gênios é um prazer para além dos sentidos. É uma dádiva dos deuses.

Mon Cher Ronsard par Matisse

“Voicy lê bois, que ma sainte Angelette
Sur le printemps enchante de son chant:
Voicy les fleurs que son pied va marchant,
Quand à soymesme elle pense seulette:”

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