“O livro vermelho”, de Jung

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“Traços orientais e tipografia medieval no “Livro Vermelho” de Jung (Philemon Found.)

“Entre 1914 e 1930, Carl Gustav Jung, primeiro pupilo e depois desafeto de Sigmund Freud, se perdia metodicamente em seu sótão. Mais precisamente, em suas ideias: durante esse período, o pai da psicologia analítica se isolava da rotina familiar entre livros e ensaios, e delirava. Alucinações autoinduzidas que, depois de uma compilação muito mais mística que metódica, se transformaram em um grosso volume encapado em couro vermelho gravado com as palavras Liber novus, latim para “Novo livro”.

Jung considerava o resultado, que está sendo lançado com o nome The red book (“O livro vermelho”), sua obra-prima, ápice e origem de uma carreira acadêmica que legou ao mundo conceitos hoje populares como o de um inconsciente coletivo. Nela, estão gravados numa impressionante mistura de ilustração oriental e caligrafia medieval europeia sonhos, pesadelos, temores e desejos do autor, que partia daí para a elaboração de obras como a cultuada O homem e seus símbolos.

O mais rocambolesco da história: o livro permaneceu por décadas trancado num cofre da família Jung que, por falta de instruções do patriarca, proibiu a publicação e mesmo o estudo da obra. A situação só foi revertida com a hábil insistência do acadêmico britânico Sonu Shamdasani, que conseguiu primeiro ter acesso ao livro e em seguida obter o sim da família para escaneá-lo e publicá-lo em edição fac-símile.

O livro, cujo périplo dramático foi contado há algumas semanas na revista do New York Times, foi lançado na semana passada lá fora, como informou a Folha de São Paulo. Algumas páginas podem ser baixadas (aqui) no site da Philemon Foundation, criada pela família Jung especialmente para angariar fundos para os trabalhos de escaneamento, preparação e apresentação da obra.

Resta saber se The red book chegará com toda sua glória ao Brasil, onde as obras de Jung têm edições para lá de modestas e monocromáticas.” Douglas Duarte

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