O Menino e a Bola

menino jogando bola
“O menino jogando bola”, tela de Carlos Prado

Ele olhava o entusiasmo do sobrinho com o futebol. Mesmo com sua pouca idade o pequeno já sabia discorrer sobre os fatos de um derby, principalmente internacional. Era Real Madri pra lá, Barcelona pra cá, Milan, Juventus de Turim, Bayern… Sem falar nos jogadores: Cristiano Ronaldo, Kaká, Del Piero, Klose… E o tio via tudo aquilo admirado e recordando do menino que fora. É, em seu tempo não havia as facilidades a tanta informação como hoje, não havia TV a cabo, computador, nem internet. Acompanhava o esporte bretão quando tinha um jogo na TV ou quando assistia o programa especializado no assunto. E, claro, sabia também, de cor, os nomes dos jogadores de sua época (Rummenniggee, Zico, Dasaev, Sócrates, Ramon Diaz, Van Den Berg, Mc Ilroy, Panenka, etc…) e tal como o sobrinho era exímio com a bola e sabia tudo de futebol. Bons tempos… Pensava.

Lembrava-se que castigava as bonecas da irmã, quando lhe faltava a bola para jogar; mutilava as coitadas, fazendo da cabeça das mesmas a sua pelota. O leitor, inocentemente, há de perguntar: mas por que faltava bola para jogar? Bem, as vidraças dos vizinhos, às vezes, teimavam em quebrar ao contato com a bola… Era isso… E, claro, os vizinhos, muito compreensivos, furavam a pelota. Ele sentia um carinho especial por seus vizinhos… No jogo ele driblava meio mundo de adversários, batia escanteio e ia cabecear e ainda por cima defendia; esqueci de dizer que às vezes jogava sozinho. Mas, tinha uma turma sempre disposta a uma partidinha. E iam lá correr pelos campos baldios, a desfilar seu repertório amador de dribles no barro, a dar caneladas e “banhos de cuia” nos colegas de jogo… Sempre tinha um que não gostava; as brigas eram inevitáveis, mas nada demais, nada que não fosse resolvida no jogo mesmo.

Hoje existem até escolinhas, com professores especializados, isso quando a própria escola não disponibiliza as tais escolinhas. Ah! Pensava ele, mas nada disso se compara a uma pelada jogada no barro batido, principalmente em dia de chuva e ficar todo enlameado. Memórias que ele recorda com felicidade.

Mas, de repente, ele volta à realidade rodeante e ouve a voz de um pequeno, do seu pequeno e miúdo sobrinho escalando-o: tio, vamos jogar. E lá foram os Rummennigges, os Sócrates, os Zicos, os Platinis enfrentar os Kakás, os Ronaldinhos Gaúchos, os Adrianos…

Brasileiro, nordestino, alagoano, advogado, cidadão comum, simples habitante deste planeta decadente... Rs... [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Danclads Lins de Andrade 18 de fevereiro de 2011 21:48

    João, o texto foi baseado no meu sobrinho Thales e, em mim, claro, quando era criança. Vendo meu sobrinho e o entusiasmo do mesmo com o futebol, lembrei-me de mim que, como vc, era um grande peladeiro tbm.

    Vou olhar sim, o seu texto.

    Valeu, um abraço.

  2. João da Mata 18 de fevereiro de 2011 11:22

    Gostei muito Danclads. Adoro essas peladas de varzeas e praia.
    Fui um grande peladeiro. Aqui no SPlural tem um texto meu “Joãozinho e a Bola”. Dê uma olhadinha

    Um forte abraço

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