O Menino

O menino de cócoras, magrinho
Quebrando o reboco do casebre
Faminto, nu, sozinho
Sua mãe morrendo de febre.

Num canto, o coitadinho
A mãe doente, deitada na rede
Ele indiferente, quietinho
Comendo o barro da parede.

Comments

There are 6 comments for this article
  1. João da Mata
    DAMATA 20 de Setembro de 2012 10:11

    Olavo, presenciei muito essa cena nas Quintas.
    O menino buchudinho come o barro/ferro para
    enganar os dias enquanto a mãe com um raminho
    verde benze os vizinhos e a vida madrasta o pai vai buscar
    os restos do mercado e canta ” Livre filho de montanha”

  2. Olavo Saldanha 20 de Setembro de 2012 13:35

    Damata, meu amigo, eu vi muito isso no interior, principalmente nas épocas de estiagem quando as águas tornavam-se barrentas e o mato secava. Na verdade, como você mesmo presenciou, na capital também acontecia. Abraço.

  3. thiago gonzaga. 20 de Setembro de 2012 18:00

    Amigo, parabéns pelo seu lindo poema, de mais alta qualidade literária. Fiquei muito feliz em lê-lo. Muito boa a construção.

  4. Tobias Sânzio 20 de Setembro de 2012 20:07

    Coitada da pobre da criança, tão sofredora, não tem os Bolsas da vida? Que poema singelo!

  5. Anchieta Rolim 21 de Setembro de 2012 10:10

    Poema direto e verdadeiro. Uma realidade que muitos fingem não ver. Valeu Olavo Saldanha!

  6. Olavo Saldanha 21 de Setembro de 2012 13:47

    Thiago Gonzaga, Tobias Sânzio, Anchieta Rolim, que bom que gostaram, abraços.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Go to TOP