O mercado de cinema no Brasil está americanizado

Por Ricardo Calil
No IG

Vou ao cinema pegar um filme no final de semana e vejo as filas para ver “Homem de Ferro 2”. As duas sessões seguintes estão esgotadas. Mas dava para conseguir ingressos com certa tranqüilidade para os outros filmes. Na semana passada, o mesmo se deu com “Alice no País das Maravilhas”. Um mês atrás, foi a vez de “Chico Xavier”

É uma sensação, mas uma sensação apoiada em números: o mercado de cinema no Brasil está americanizado. Ou seja, as carreiras dos filmes dependem cada vez mais do final de semana de estreia. Quando dá certo, é um recorde atrás do outro. Vide “Alice”, “Avatar”, “Chico Xavier”.

À primeira vista, é uma história de sucesso: mais filmes fazendo sucesso, mais salas de cinema. Mas há contrapartidas bastante negativas: é um tipo específico de filme que vai bem na bilheteria (aqueles de impacto imediato), enquanto a grande maioria desaparece antes da ajuda do boca a boca; um tipo específico de sala de cinema que é erguido (os multiplex de shopping), enquanto outros viram igreja e estacionamento (os de rua).

Não aconteceu da noite para o dia. É um processo lento, global e provavelmente irreversível. Mas essas filas quilométricas, essas sessões esgotadas, esses recordes sucessivos mostram que a coisa toda chegou a um outro nível. Um nível americanizado.

Comentários

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

doze + 16 =

ao topo