O mesmo lirismo em Goethe e em Yoshiro Takita

GOETHE E “A PARTIDA”
Jorge da Cunha Lima
http://colunistas.ig.com.br/jorgedacunhalima/


As altas demandas do espírito não estão longe como presumimos. São Paulo, no-las oferece em pencas, se não tivermos preguiça em alcançá-las.

Apenas ontem, em circunstâncias diversas, colhi duas obras primas do lirismo, como um eixo a unir matizes, tão distintas: A PARTIDA, filme japonês que venceu o OSCAR de melhor filme estrangeiro e ELEGIAS DE MARIENBAD, que Goethe escreveu com 74 anos sobre seu amor com uma jovem de 20.

O filme de Yojiro Takita trata com a precisão da lâmina de coisas sem as quais a vida não teria sentido: a solidão, o amor humano, o trabalho, o amor do pai ausente e a morte.

Na vida infortunada e sem oportunidades, Daigo, o tocador de Cello, foi trabalhar com a morte, profissão infamante que lhe trouxe, contudo, a vida de volta: a música, a mulher e o pai pródigo.

Goethe não teve o mesmo consolo, além da poesia e de todo saber que o iluminava. Na triste elegia do amor que tudo ilumina e se elimina, como o acaso e a sabedoria da jovem amante, ao abandoná-lo.

Go to TOP