O meu rolezinho

Por Tácito Costa

Meus passeios obrigatórios pelo centro nos sábados pela manhã ficaram mais pobres desde que a livraria Poty fechou. Agora, se resumem ao mercadinho de Júnior, na Voluntários da Pátria, onde compro algumas frutas para a semana; ao box de filmes piratas 7 arte, no camelódromo; e assinar o ponto no Sebo Vermelho. O mercadinho na verdade se chama Casa das Aves, minha mãe era cliente da dona, que passou para o filho e eu agora sou freguês dele, Júnior. Não recebe cheque e nem cartão e ainda anota os fiados numa caderneta.

Esse périplo semanal é fechado com almoço num restaurante popular na João Pessoa com a Princesa Isabel, onde por 8 reais o camarada pode se servir à vontade, num prato pequeno para muitos que tem apetites e fomes ancestrais.

Esse itinerário leva cerca de duas horas, duas horas e meia, geralmente entre 9h30 a 12h. Faço-o há muitos anos e no sábado que, por algum motivo deixo-o de fazer meu final de semana fica comprometido. Gosto de certas rotinas e essa é uma delas.

Uma lástima que os cinemas do centro tenham fechado porque gostava de frequentá-los à tarde. Um virou templo religioso (o Rio Grande) e os outros dois (Rex e Nordeste) magazines. A livraria Poty deu lugar a uma igreja evangélica.

A Livraria Universitária foi se desfigurando, entrou em longa decadência e fechou. Um dia desses passei em frente e alguns móveis velhos estavam à venda. Muita coisa fechou no centro, a lista é enorme, mas eu me lembro de quase tudo.

Mudanças radicais na geografia da minha cidade alta e que dizem muito desses tempos esquisitos que estamos vivendo. Como a arte e a diversão perdendo espaço para o consumo e o comércio da fé.

Tem sido assim em toda parte e não há muito o que se possa fazer.

Mas, apesar das mudanças drásticas que o velho centro passou nos últimos anos, e que eu acompanhei de perto, mesmo algumas vezes morando longe do bairro, continuo um xaria empedernido e não abro mão do meu rolezinho dos sábados.

Comments

There is 1 comment for this article
  1. Israel lima 28 de Janeiro de 2014 10:54

    Grande Tácito, um cotidiano simples porem salutar, esse da gente preservar os velhos costumes.

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