O novo e o antigo no Flipipa

É ótimo que o Festival Literário da Pipa esteja rendendo essa discussão toda. Se fosse desinteressante ou medíocre quem iria perder seu tempo em escrever sobre ele?

Os textos de Sérgio Vilar e Fábio Farias (links em posts mais abaixo) levantaram questões interessantes, como repetição dos nomes que participaram, presença pequena de jovens autores potiguares, temas “antigos” e regionalismo.

Sérgio achou algumas palestras ultrapassadas. Seria bom para o debate se ele dissesse quais foram essas palestras. Pareceu-me que ele se refere à mesa sobre a obra de Cascudo.

Dei uma checada na programação e a única mesa que poderia ser taxada de regionalista foi a de Frederico Pernambucano. Que não tratou desse tema, especificamente, falou sobre a estética do cangaço, pegando o gancho do lançamento do seu livro sobre o assunto.

Outra questão complicada de tratar é com relação a suposta temática antiga de algumas palestras. Pelo que entendi as referências são endereçadas às mesas sobre Polycarpo Feitosa e Cascudo.

A impressão que tenho é que Dácio Galvão elaborou uma programação mista, buscando contemplar leitores de variados saberes e latitudes. Com temas e nomes “novos”, digamos assim, como Daniel Galera e Noll, e “antigos”, João Ubaldo, a mesa sobre Cascudo etc.

Trouxe nomes mais conhecidos, Mia Couto e Ubaldo, por exemplo, para atrair mais gente. No meio, insere autores menos populares. Essa é a fórmula de todo festival, seja de literatura, teatro ou dança etc.

Dificilmente a programação de um festival contempla em 100% nossos gostos e expectativas. A saída, então, é assistir àquelas palestras e discussões que nos interessam mais. É o que normalmente faço. Isso não significa que devamos silenciar sobre aspectos que nos parecem equivocados ou que não possam melhorar.

Concordo com Fábio quando ele chama atenção para a pouca presença dos jovens escritores do estado na programação. Acho que há espaço para uma participação maior desse pessoal, não mediando, mas falando de seus trabalhos.

Repito o que disse antes. Achei esse segundo Festival melhor do que o primeiro e acredito que a tendência natural seja ir melhorando com o tempo. E as críticas ajudam nesse sentido. (TC)

Comentários

Há 4 comentários para esta postagem
  1. Carito 24 de novembro de 2010 18:33

    Bem observado, Edjane! Concordo.

  2. Edjane Linhares 24 de novembro de 2010 12:50

    É isso, Carito!
    Apenas senti falta da programação musical, na praça, pra todo mundo.

  3. Carito 24 de novembro de 2010 2:01

    que tal a temática da originalidade?

    e ela esteve presente nos estudos originais de frederico pernambuco de mello em outra abordagem sobre o cangaço – a estética.

    e na linguagem além dos personagens da fricção de joão gilberto noll.

    noll que é pós-moderno é cangaceiro urbanóide, corisco correndo o risco, caiu um cisco no olho do furacão! quem foi que não viu não?

    leminski disse:

    o novo
    não me choca mais
    nada de novo
    sob o sol
    apenas o mesmo
    ovo de sempre
    choca o mesmo novo.

    também concordo com fábio quando ele chama atenção para a pouca presença dos jovens escritores do estado na programação. jota mombaça, tiago mesquita, renata mar e ada lima são apenas alguns dos muitos nomes que podem enriquecer ainda mais as próximas feiras e encontros literários do estado.

    ou será que já estou ultra-pensado?

  4. Sérgio Vilar 23 de novembro de 2010 23:38

    Sim, o cangaço, Tácito. Disse lá no terceiro parágrafo. Mesmo com a novidade do lançamento do livro de Frederico Pernambucano, acho que é tema para jornal, assim como a temática de Cascudo discutida lá, e talvez, também, a de Tarcísio (quanto a essa tenho minhas dúvidas). Isso porque não vejo (ou não vi) novos olhares sobre o tema; nada a acrescentar.

    E concordo com tudo o que você disse. Acho que o tom é esse. Discordo de alguns posicionamentos do grande Plínio. A FlipAut existiu por causa da Flipipa, repito. E cada um tem seus critérios de escolha, seu formato e seu orçamento. Ou os organizadores da FlipAut rejeitariam verba governamental se fosse oferecida?

    A Flipipa não retém um décimo do investimento de uma Fliporto, por exemplo. É um evento válido. E tem sim, o propósito de formar leitores. E as oficinas literárias? Vi lá uma penca de alunos de escolas públicas. Vi nativos visitando a tenda, mesmo que rapidamente, vi produção de artesanato local.

    Não vi foi celebração nem celebridades puramente midiáticas. Só vi concorrência ali para Mia Couto, o que é ótimo. Lamentei o tumulto para ver Lobão e Danusa Leão no ano passado. Melhoraram! Sinal, talvez, de que Dácio tem ouvidos maiores do que pensamos. Eu e outros reclamamamos do frio exagerado no primeiro dia e no segundo já tomaram providências.

    Em qualquer evento do tipo há contratempos, as tais celebridades e a tietagem. A bronca é ver que os tipos de tietes. Acredito que fica o conteúdo. E isso, sim, acho que precisa de alguns ajustes. E digo porque assisti todas os debates, desse e do ano passado.

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