O ódio a Lula

O Financial Time colocou Lula entre as 50 pessoas mais importantes da década. A notícia está hoje em todos os portais importantes de notícias. Antes, o El País e o Le Monde já tinham prestado deferências ao presidente brasileiro. Curiosamente, o prestígio dele junto à imprensa mundial é proporcional ao seu desprestígio junto à imprensa brasileira. O que pode levar alguns a imaginar que existe desinformação por parte de uma e realismo e conhecimento por parte da outra. O que não é verdade.

Parece-me que a imprensa nacional não superou o ódio de classe que nutre contra Lula. Ela e setores da classe média alta, notadamente os chamados “profissionais liberais”, médicos, engenheiros, arquitetos etc, um pessoal inculto e boçal que se informa via Rede Globo e revista Veja. Que ri dos erros de português e linguajar vulgar do presidente, mas que não são nenhum exemplo nesses e noutros aspectos da vida. Não incluo entre esses, claro, os que combatem Lula motivados por questões políticas e ideológicas. Um combate legítimo, dentro do campo da política e do estado de direito.

Nos dois extremos sociais, Lula é aprovado, ou seja, entre os donos de bancos, construtoras, grandes empresas em geral, e entre o povão, beneficiários do Bolsa Família e os que ganham Salário Mínimo e pequenos empreendedores. Creio ser dispensável explicar para pessoas bem informadas como as que acessam esse blog porque isso acontece.

Utilizei a palavra ódio, uma palavra forte, sem dúvida, porque o que tenho constatado é exatamente isso (segundo o Aurélio: 1. Paixão que impele a causar ou desejar mal a alguém; execração, rancor, raiva, ira). Já tive oportunidade de estar frente a frente com esses anti-lula, em encontros sociais, e fico perplexo (e com algum medo, para ser franco), com o descontrole emocional, a histeria quando o assunto Lula entra na conversa.

Se dependesse da chamada grande imprensa e desses setores da classe média Lula já teria sido apeado do poder há tempos. Mas, ao contrário, cultiva índices de popularidades enormes. Para desgosto e uma cada vez maior amargura deles (o que só faz aumentar o ódio).

Se quisermos ser justos na avaliação sobre o governo Lula, precisamos reconhecer que ele não é pior ou melhor do que outros governos do mundo. Fez coisas boas e coisas ruins e se viu envolvido em episódios como o Mensalão.

Então, a crítica a Lula, para ter um mínimo de honestidade e desprendimento, precisar levar em conta todos esses aspectos e não ficar limitada a maniqueísmos e ódios de classe.

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