O Papa e Chardin

Por Maria da Paz Ribeiro Dantas

Interessante como dois artigos, postados quase simultaneamente – o de Marcelo Leite “O papa piscou” ; e o de François Silvestre “Alguém se lembra de Chardin ?” como que se complementam, o segundo, oferecendo argumentos para questões colocadas pelo primeiro.

O que diz Marcelo Leite, em seu comentário à homilia de Bento XVI quando se refere à estrela que guiou os reis magos até a gruta de Belém? Que o papa, embora sendo intelectual, insiste em colocar a ciência num patamar abaixo da fé, como se a meta do conhecimento racional fosse alcançar o sentido último da realidade material.

Ora, o que se destaca, precisamente, no texto da homilia de Bento XVI é a afirmação de que a fé não faz concorrência com o saber científico. Trata-se de um conhecimento (o de Deus) que se rege por outros parâmetros, com objetivos diversos.

Coincidentemente, segue-se ao texto de Marcelo um de François Silvestre sobre Chardin, e que me parece tem vindo mesmo a calhar, uma vez que Telhard, cientista e religioso, mostrou, em um discurso teológico (e até poético, pelo menos ao meu ver), embasado na paleontologia e na biologia, que o divino tem sua dimensão imanente, e não somente transcendente, no Universo.

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. João da Mata 11 de janeiro de 2011 19:33

    Danclads, vai aí uma fisgada do papo furado do poeta Jairo Lima. Tá otimo.
    Dê uma passada lá. O Jairo, nosso eterno amigo foi adotado por Natal, e faz uma falta do carai. Volta, poeta. Vem viver outra vez ao nosso lado.

    Leonardo Neves
    Enviado pelo autor
    Provocação

    Olá Seu Jairo, vai esta provocação por causa do texto de Antonio Cícero.
    Aquele abraço

    Protegidos por Deus Pai
    Os velhos cristãos continuam
    Os mesmos
    Filhinhos de papai.

    • Não sei porquê o poeta Leo me chama de Seu Jairo, mas vá lá. O bom mesmo foi ele ter mandado uma colaboração para eu poder reabrir sua banca, perdida naquele cataclisma digital que jogou todo o acervo do site no espaço.

    JL

  2. Danclads Lins de Andrade 11 de janeiro de 2011 16:43

    O eterno embate: religião x ciência.

    Bento XVI tem um posicionamento que não condiz com sua formação intelectual, como bem disse a autora do texto. É claro que temos que ter fé, mas temos que ter fé sem relegarmos a ciência a plano secundário, afinal com ela a humanidade já progrediu muito.

    Bem fez Michelangelo ao pintar a Capela Sistina quando colocou Deus e o homem se tocando, ou seja, o divino e o humano em integração.

    Portanto, a meu ver, a discórdia entre Religião e Ciência, para saber que tem primazia para a humanidade, é de uma tolice medieval.

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