O poder das redes sociais

Por Tácito Costa

As redes sociais ocupam hoje um papel central nas profundas mudanças social e política ocorridas no mundo. O Brasil, com mais de 90 milhões de pessoas conectadas, está inserido nesse contexto afetado pelo uso massivo das novas tecnologias. Elas vieram para ficar, quer gostemos, estejamos conectados ou não.

Cabe tudo nas redes sociais e este talvez seja o segredo do seu sucesso. Dos protestos iniciais contra o aumento das passagens de ônibus até o “contra tudo {ou quase tudo} que está aí”, que desaguaram nas ruas em junho de 2013, à revolta recente contra o desembargador que humilhou um garçom e policiais na padaria, ou a uma foto do dedão de uma moça no Facebook mostrando que está com um bicho de pé e a frase: “bicho de pé, quem já teve curte aí”.

Cabem debates de elevado nível, veiculação de informações e serviços importantes, mensagens edificantes e de autoajuda, narcisismos vários, ressentimentos, discutíveis cruzadas e linchamentos morais, do tipo “atire primeiro e pergunte depois”. Geralmente, o emocional assumindo o lugar da ponderação e do equilíbrio.

No país que conta com apenas 2,5 mil salas de cinema, 5 mil bibliotecas públicas e cerca de 2,6 mil livrarias, a internet não é um bem ou um mal em si. Depende do uso que se faça dela, que em muitos casos já substituiu essas antigas plataformas de saber e conhecimento.

As redes mostraram sua força em países tão diferentes, como Estados Unidos (‘Occupy Wall Street‘), Egito (derrubada do presidente Hosni Mubarak) e Brasil (manifestações a partir de junho do ano passado).

Por tudo isso, é inegável o poder que a internet detém hoje. Não à toa, países como Cuba, China e Coréia do Norte a mantém sob censura e estreita vigilância.

Em seu livro “Redes de indignação e esperança – Movimentos sociais na era da internet”, o sociólogo espanhol Manuel Castells, considerado um dos mais importantes teóricos atuais sobre comunicação virtual, explica o que levou os internautas a irem às ruas: “…foi basicamente a humilhação provocada pelo cinismo e pela arrogância das pessoas no poder, seja ele financeiro, político ou cultural, que uniram aqueles que transformaram medo em indignação, e indignação em esperança de uma humanidade melhor”.

As redes sociais abriram uma fenda na monolítica imprensa tradicional, que durante séculos monopolizou os canais de comunicação como alicerces de seu poder e dos seus interesses. Definitivamente, acabou o tempo da comunicação unidirecional. Um pouco antes da explosão das redes, os sites e blogs já tinham equilibrado esse jogo, oferecendo contraponto indispensável aos conglomerados da mídia e, com isso, fortalecendo a pluralidade e a democracia.

Meios de comunicação horizontais, sem mediações e espaço de autonomia, as redes sociais, como tudo, têm qualidades e defeitos e as avaliações sobre o seu uso e importância dividem pessoas e teóricos entre otimistas e pessimistas. As duas posturas desvinculam as redes da realidade social que as rodeia e, com isso, esquecem que as tecnologias são artefatos culturais e como tais é que devem ser estudadas.

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Texto produzido – a pedido – para o jornal Tribuna do Norte. Publicado domingo (12).

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