O poeta e o rio

Excelentíssima Senhora Professora Doutora
ISAURA AMÉLIA DE SOUSA ROSADO MAIA,
M.D. Secretária de Estado da Cultura do Rio do Norte.

LAÉLIO FERREIRA DE MELO, in fine firmado, brasileiro, viúvo, natural de Natal, portador da C.I. n. 48.895/RN, CPF 009.301.721-91, residente e domiciliado nesta Capital, serve-se do presente instrumento para, muito respeitosamente, expor e, em seguida, requerer a Vossa Excelência o que abaixo dispõe:

1. A EXPOSIÇÃO

O peticionário é filho do Poeta, Jornalista e Escritor natalense OTHONIEL MENEZES DE MELO, em certa época, considerado o “Príncipe dos Poetas do Rio Grande do Norte”, autor dos versos (letra) – em parceria com o músico Eduardo Medeiros – da “Canção Tradicional da Cidade do Natal”, a muito conhecida “Praieira” (Serenata do Pescador), composta em 1922;

OTHONIEL MENEZES, nascido em 1895, no próximo dia 10 de março, se vivo fosse, completaria 116 (cento e dezesseis) anos de idade. A data, por outro lado, coincide com as comemorações, nesta Capital, do “Dia da Poesia” (14 de março), patrocinadas por essa Secretaria de Estado, com a interveniência da Fundação José Augusto;

O expositor e requerente, há cerca de dois anos, às suas próprias custas, providenciou a feitura de um busto, em bronze, do Poeta (obra do escultor potiguar Eri Medeiros), materializando, desta forma, filial homenagem ao grande norte-rio-grandense, quase esquecido pelas novas gerações;

A obra de arte, todavia, a escultura do bardo, merece – julga o peticionário – local público conveniente para ser erguida, chantada e apreciada pelo povo.

2. O PEDIDO

Isto tudo posto – e na forma dos entendimentos já mantidos com Vossa Excelência -, doa o signatário ao Governo Estadual a obra de que se trata, rogando à Secretaria de Cultura que providencie:

a) a localização da obra no caminho, beira-rio, de acesso à Fortaleza dos Reis Magos – próprio do Estado, tombado pelo Patrimônio da União;

b) possa o busto ficar voltado para o rio Potengi (tão cantado nos versos do vate); e

c) que, no pedestal, em placa própria, além dos mínimos registros da existência de Othoniel Menezes, conste a transcrição da sextilha (“Sertão de Espinho e de Flor”, livro do homenageado):

“A glória a que aspiro – a única –
e que há de ser minha túnica,
mais sagrada que a de um rei,
posse intangível, se planta
na alma do povo – que canta
as canções que lhe ensinei!”

Termos em que
Espera e aguarda o deferimento.
Natal-RN, 14 de fevereiro de 2011

(Laélio Ferreira de Melo)

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