O Prazer das Palavras

Lendo Moreno

Muito bom o livro do Cláudio Moreno “O Prazer das Palavras”. Fico sabendo que o dicionário é um livro como outro qualquer. Há muitas diferenças entre os dicionários Houaiss e Aurélio. Diferenças ortográficas e de adjetivos. Moreno consultou muitos dicionários para esse olhar com muito humor sobre a nossa fantástica Língua Portuguesa. Além dos dicionários acima citados, Moreno consultou os grandes dicionários do Bluteau e Morais.
Fico todo feliz quando ele diz que Câmara Cascudo foi um dos escritores que mais contribuíram a nossa língua. Discordo dele quando diz que Guimarães Rosa criou uma língua só para ele e que, em termos de inovação, sua criação é zero. Que suas palavras inventadas não serão usadas por ninguém, a não ser por alguns poucos imitadores.
E qual a diferença entre estória e História? Guimarães escreveu “Primeiras estórias”, “Estas estórias”, etc.
Do ponto de vista lingüístico não existe distinção entre Estória e História, diz Moreno. Errou Cascudo e outros folcloristas quando fazem essa distinção proposta por João Ribeiro em 1919. João cunhou o termo Estória para designar a Narrativa Popular, o Conto tradicional e outros estudos do folclore.
O erro se propaga quando se transfere ou se traduz o português do medievo para a idade moderna. Na idade média não havia distinção entre Estória e História. Os folcloristas desejaram distinguir a História do Brasil das Histórias da Carochinha. Para Moreno uma distinção inútil. E eu estou com ele, mesmo não sendo da área. E chega de História de Estórias. Ler o livro do Moreno é uma delícia. Como é lindo meu Português!

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