O primeiro Dia da Poesia em Natal

Por Eduardo Alexandre

Menino ainda, Jota Medeiros já era conhecido no movimento cultural da cidade. Adepto do Poema Processo, seu nome já figurava em catálogos e exposições Brasil afora, havendo participado até de eventos internacionais. O seu contato maior, no entanto, era com o pessoal da Paraíba e de Pernambuco, com quem mantinha intensa correspondência.

Em 1977, Jota realizou, na Biblioteca Pública, exposição comemorativa ao aniversário de surgimento do Poema Processo, a qual compareceu Eduardo Alexandre, o dito Bobo da Corte, que arrancava, na Praia dos Artistas, os cabelos da ditadura, combatendo-a com arte a céu aberto, no muro da Galeria do Povo, surgida recentemente e a arrebanhar amantes da poesia, do desenho, da pintura, da fotografia e do jornalismo. comemorava-se a data, noticiava ele, mostrando jornal que trazia Paulo Bruski em uma performance comemorativa na terra dos Guararapes.

O movimento da Galeria do Povo andava pela vigésima exposição no mural da praia, sempre aos sábados e domingos, e já dispunha de um grande acervo de poemas, deixados pelos participantes.

O 14 de Março estava próximo e ficou então decidido que Natal aderiria ao movimento do Dia da Poesia. Juntos, Eduardo Alexandre e Jota Medeiros trataram da programação comemorativa. Apresentariam à TELERN o Projeto “Poesia por Telefone”, jogariam poemas do alto do Edifício 21 de Março e, no muro da Catedral nova, ainda em construção, realizariam exposição com o acervo da Galeria do Povo. E assim foi feito.

Jota ficou responsável pela gravação do clipe que seria levado à TELERN, “Florestas – Animais – Nuvens – Concretos”, no qual se ouviam ruídos animais produzidos eletronicamente com címbalos. No 14 de Março, quem discasse o nº 136 ouviria a mensagem eletrônica do Jota. O Projeto chegou a ser testado pela empresa telefônica um dia antes do Dia da Poesia, mas os seus diretores, apesar de mostrarem-se interessados, não gostaram do abuso futurista do endiabrado performer vanguardista potiguar e recusou o trabalho.

Na tarde do dia 14, porém, poemas de 31 poetas brasileiros e de outras nacionalidades, participantes da publicação POVIS – Projeto/Documento 4/5, foram lançados ao ar, no centro da cidade, do último andar do seu edifício mais alto àquela época. E, no muro da Catedral nova, que dava para a rua Jundiaí, local de um dos maiores fluxos de trânsito de Natal, foi realizada a maior exposição de poemas já vista pelos natalenses. Todo o extenso muro lateral da igreja em construção ficou coberto de poemas de autores potiguares.

Daí em diante, todo 14 de Março, comemora-se, em Natal, O DIA NACIONAL DA POESIA.

Comments

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  1. Laélio Ferreira 14 de Março de 2011 14:34

    Meu velho e querido Dunga.

    Pegando uma carona com JMedeiros, poeta?
    Tás feito Pelé, discorrendo sobre Eduardo Alexandre (o Bobo da Corte) na terceira pessoa do verbo?
    A Galeria do Povo, ultimamente, tem aparecido como invenção de muita gente, não acha? Leu o Novenil Barros, atual diretor da Pinacoteca?
    Eu, como não estava aqui, na paróquia, à época, agora é que estou me ilustrando sobre a matéria…
    Com um abraço,
    Laélio Ferreira

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