O que é que Daniel Filho tem?

Por Ricardo Calil
No IG

Das dez maiores bilheterias da chamada “retomada” do cinema brasileiro, Daniel Filho assina seis como diretor, produtor ou supervisor, incluindo o recordista “Se Eu Fosse Você 2″. Em breve, haverá mais um filme seu para a lista, talvez brigando pelo primeiro lugar: “Chico Xavier”, que já bateu o recorde de bilhteria no final de semana de estréia, com seus 590 mil espectadores.

O que nos leva à pergunta fundamental: o que é o segredo do sucesso de Daniel Filho? Em entrevista à revista Trip, eu fiz a pergunta diretamente ao cineasta. Sua resposta foi a seguinte: “72 anos de vida, 72 anos de experiência. Na verdade, só de carteira assinada são 57 para 58 anos, na Globo como diretor foram 30 anos trabalhando com todo tipo de público… Isso dá um conhecimento na sua alma, no seu sentimento da plateia. Você sabe que na televisão é obrigado a agradar o público de ponta a ponta. Você passa a ter um conhecimento da linguagem do país.” Não é uma má resposta, mas me parece insuficente. Se a questão fosse de quilometragem, um produtor como Luiz Carlos Barreto não estaria em fase de baixa, não teria cometido um erro de avaliação de bilheteria tão grande quanto no caso de “Lula, o Filho do Brasil”.

Há outras frases na entrevista que ajudam a entender melhor seu sucesso. A começar por sua falta de vergonha em relação ao sucesso… Ele diz: “Corro atrás o público como quem corre atrás de um prato de comida”. É uma diferença marcante em relação à maioria dos diretores brasileiros, que costumam dizer que estão fazendo arte mesmo quando fazem apenas escambo. Mas é, na essência, uma diferença de discurso. Muitos outros correm desesperadamente atrás do público.

Então, afinal, qual é a resposta? Talvez seja algo simples: Daniel Filho faz cinema de qualidade (e em escala industrial) para o grande público. Algo que bons artesãos – como Carlos Manga ou Roberto Farias – faziam no passado. É simples, mas ao mesmo tempo muito mais raro que o desejável no cinema brasileiro atual. O que deveria ser regra vira exceção – e, por isso, nos espanta.

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