O que eu gostei e não gostei em Avatar

Ingresso comprado um dia antes, fila quilométrica, sala lotada, espectadores rindo e vibrando (vai… segura… agüenta essa…). Ao fim da sessão palmas, tímidas, é verdade, mas palmas. Fazia anos que não presenciava tudo isso ao mesmo tempo num cinema. Estou falando, claro, da pequena aventura que foi assistir ontem à tarde Avatar, o mais novo blockbuster de Hollywood.

Eu ainda não tinha assistido nada em 3D. Fiquei encantado. Junte isso aos efeitos especiais e o show fica completo. Avatar impressiona. O ingresso vale por essas duas coisas. O que não é pouco. Certamente levará alguns prêmios técnicos no Oscar e abre caminho para a rápida popularização do 3D.

Agora, se retirarmos os óculos 3D o filme acaba. Em alguns momentos, fiz o teste. Tirei os óculos e toda a magia dos efeitos especiais se esvaiu, restando um filme comum, sem atrativos. Tedioso. Não é o tipo de entretenimento que me leve a perder três horas do meu tempo.

O ponto fraco do filme é o roteiro, que se desenvolve como se fosse para um público infantil. Isso me incomodou o tempo inteiro e foi o que ficou mais fortemente na minha cabeça. Será que o público está tão infantilizado assim, que precisa de um roteiro desses? É uma hipótese e eu não sou o primeiro a levantá-la.

Como todo arrasa-quarteirão que se preze Avatar é um filme de excessos. De duração, quase 3 horas, de politicamente correto, didatismo (no mau sentido), de maniqueísmo, a tão explorada luta do bem contra o mal, com os velhos clichês que já conhecemos de outras produções. Vilões e mocinhos mais clichês impossível. Claro, estamos falando de filmão de Hollywood, alguém pode lembrar, não seria mesmo diferente.

Os diálogos são de uma pobreza lastimável e algumas piadas eu não sei como as pessoas conseguiam rir. Aquelas piadas de filmão americano… Também me chamou bastante a atenção o misticismo exagerado – a relação do povo de Pandora com a floresta – num nível assim de… Paulo Coelho. Por aí.

Pelo que pude perceber, prestando atenção nos comentários e semblantes das pessoas, o filme agradou em cheio. Deu para sacar isso claramente. Se fizessem uma enquete ali na hora, é provável que eu fosse a única pessoa a ter essa leitura que estou compartilhando com vocês.

Resumindo: vale assistir pelos efeitos especiais e o 3D. E também para combater o nefasto preconceito do “não vi e não gostei”. Mas, vamos torcer para que sejam feitos filmes mais interessantes e adultos, usando esses mesmos recursos. É possível juntar tecnologia e inteligência e se ter um resultado muito melhor.

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