O que foi feito a este documento?

Por Eduardo Alexandre

NA COPA DOS MAIORES ABSURDOS

Fui coordenador do Centro de Documentação Cultural Eloy de Souza da Fundação José Augusto.

Sei que quando um cidadão envia documento a esta Fundação solicitando o tombamento de algum bem material ou imaterial, é obrigação desta Fundação apreciar o pedido. É lei, inclusive federal, alardeada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, como prerrogativa do cidadão para garantir para a sociedade a preservação daquilo que julga relevante para a História de um município, estado ou do próprio país.

No dia 28 de maio próximo passado, fui à FJA e entreguei o documento nesta postagem mostrado, ao protocolista, senhor Cícero Duarte Costa, que o carimbou, deu como recebido e o encaminhou à direção da instituição responsável pelos trâmites legais que o documento havia de tomar.

A imprensa do RN tomou conhecimento do fato e o divulgou; a população do Estado também tomou conhecimento da atitude e, durantes dias, foi assunto da cidade, pessoas se solidarizando com o pedido, pessoas distribuindo a mim impropérios de toda ordem.

Onze meses são passados.

Por volta de completar um ano do pedido de tombamento do Estádio João Cláudio Machado e Ginásio Humberto Nesi, também incluso da preocupação preservacionista, ninguém sabe que fim o documento levou ou que encaminhamento teve.

A quem recorrer para fazer valer o poder de cidadão que a Lei me garante, hoje nem sei mais.

Vejo a luta quase solitária do arquiteto Moacyr Gomes da Costa para preservar o patrimônio que riscou, e sinto o peso do dinheiro envolvido na transação que levará a escombros o que durante tanto tempo foi sonho e depois glória de uma cidade.

Enquanto menino, vivi e acompanhei a luta de uma geração de homens íntegros e de bem para fazer realidade aquele que se chamou poema de concreto de Lagoa Nova.

Hoje, vejo com tristeza a sede pelo uso da marreta que colocorá abaixo todo aquele sonho feito realidade.

E lembro a saudade que deixaram edificações postas abaixo numa Natal que não pode defender-se de tantos absurdos contra ela cometidos: onde estão a Galeria de Artes da Praça André de Albuquerque? A sede da Sociedade Brasil/Estados Unidos, na avenida Getúlio Vargas? A sede social do ABC FC em Petrópolis?

Onde?

Em fotos cada vez mais raras e amareladas de uma dor que só o descaso com a História poderiam revelar.

E repito a pergunta que toda a cidade já fez: por que derrubar o parque desportivo que temos, se tanta terra há onde um novo pode ser edificado?

Só a sanha da ganância por dinheiro, creio, será capaz de responder.

Mas deixo aos responsáveis pelo cumprimento das leis em meu Estado a pergunta: o que foi feito do dodumento que pediu o tombamento do Machadão? Quais os pareceres que recebeu das instituições para as quais deveria ter sido encaminhado? Quais?

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