o que fui ontem

a linha se enovela

na base do tempo,

o gosto de pano

revira na boca,

anima missa alta

e o vento flui,

aos turbilhões.

*

nada sei sobre

o rito imposto,

sobre os avisos

grudados na janela.

*

sei que é devido

e se prepara, lento,

o gole no copo

e o sono no chão.

*

e o corte profundo

é o desenho da guerra.

na lista das bestas,

a dança das siamesas,

o tétano na ferida,

o concreto do túmulo

e algo que não se disse.

__________________________

A obra acima, “O Ser”, é de autoria do célebre Farnese de Andrade (Araguari, 26 de janeiro de 1926 — Rio de Janeiro, 18 de julho de 1996).

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

There is 1 comment for this article
  1. Lívio Oliveira
    Lívio Oliveira 5 de julho de 2012 15:16

    “Nenhuma pátria me pariu.” (Titãs)

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