O que me dói

Me permita a gramática o pronome enclítico, me permita Vieira o verso frágil, me permita Homero a curta conta, me permita Bandeira o desamor. Me permita Cecília o motivo da rosa, me permita Vandré  o esquecer das flores, me permita Cascudo o gesto de amanhecer. Me permita Pessoa a alma pequena, me permita Zé Régio o não vou por aí, me permita Quintana a verdade esquecida. E me permita Dom Miguel de Unamuno, nos versos da dor, substituir sua Espanha. Não me doem as pernas, não me doem os braços, não me dói o coração. É o Rio Grande do Norte que me dói.

Ex-Presidente da Fundação José Augusto. Jornalista. Escritor. Escreveu, entre outros, A Pátria não é Ninguém, As alças de Agave, Remanso da Piracema e Esmeralda – crime no santuário do Lima. [ Ver todos os artigos ]

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