O que temos de bom?

Por Yuno Silva

olá incautos do bem que freqüentam este importante espaço de reflexão papa-jerimum,

Estive em Brasília e no Rio de Janeiro (onde, incrivelmente, me sinto mais seguro do que em Natal) neste fim de ano e uma pergunta simples me pegou de surpresa: algumas pessoas me perguntaram, assim na lata, o que tem de bom pra fazer em Natal?

Fiquei mudo: nossa cultura não é valorizada, nossas praias estão poluídas e se chover não há programação interessante pra fazer.

Socorro!!!

Não há um museu decente na cidade, o centro histórico é uma calamidade, a noitada não existe e nem vai existir enquanto o sistema de transporte público continuar do jeito que é (ou financia-se um carro em 60 meses e ajuda a entupir ainda mais as ruas ou paga, com os olhos da cara, um táxi), não há praças bacanas para nos encontrarmos, nem calçadão na praia, nem ciclovia, nem parques… ainda dizem que a Copa do Mundo vem pra cá com a simples demolição de uma creche! Uma piada atrás da outra!!

Quando será que veremos a palavra compromisso ser conjugada pelos políticos? Quando é que a sociedade (a grande massa emergente com poder de consumo) vai se mover em benefício do coletivo (somos poucos e sempre os mesmos).

Desistir!? Nem pensar!!! Amo essa terra. Mas apesar de firme e forte nas minhas convicções, confesso estar cansando dessa esculhambação generalizada. A luta é, realmente, permanente!

Abraços.

Comentários

Há 6 comentários para esta postagem
  1. carlos de souza 19 de janeiro de 2011 8:41

    raul seixas ironizando um tal de silvio brito, grande yuno.

  2. Yuno Silva 18 de janeiro de 2011 18:33

    Marcos,

    infelizmente todos os seus exemplos de locais estão sofrendo com o descaso generalizado: acho a praça André de Albuquerque a mais interessante da cidade, mas alguém se habilita a frequentar o local depois do expediente? E a Pedra do Rosário? Alguém tem coragem de ir lá para fotografar o por do sol? A cidade deu as costas para o Potengi e disso todos sabemos.

    Mercados de Petrópolis tem tudo para deslanchar, mas até a Semsur bota areia. Mercado do Alecrim é abandono total. Feira é feira, mas a do Alecrim tem uma baguncinha a mais! Tão vendendo DVD pirata que dá mais lucro que vender comida. A Rampa não poderia ter um museu bacana sobre a Segunda Guerra?

    Já tentou chegar de ônibus no Pq das Dunas? Beco da Lama se salva, mas por méritos individuais pois não há zelo com o lugar por parte do poder público… e por aí vai! Não estou aqui reclamando, apenas constatando.

    Nossa cidade tem tudo para ser um destino charmoso, badalado, interessante, massss…

    Sabe qual foi a minha resposta para a fatídica pergunta: o que tem de bom em Natal não está em Natal! Está em Pipa, em São Miguel do Gostoso, em Acari, no Seridó, temos os Castelos que são bem interessantes e poderiam entrar no roteiro oficial de turismo, temos a renda de bilro (que só existe pq as velhinhas de Ponta Negra amam fazer)…

    Cascudo? Não passa de um nome citado no ensino fundamental/médio.

    Mas temos o Buraco da Catita, o DoSol, o Sebo Vermelho, Falves Silva e a poema processo (movimento que merecia um espaço cultural decente para contar esse capítulo de nossa história), e mais…! tem também….. o….! a….? É difícil mesmo!! Se chover a cidade para. O turista morre de tédio e tudo alaga.

    Amo muito essa cidade, tanto que estou sentindo na pele – e no bolso – o que é bater de frente com interesses econômicos e políticos. Não sei se todos sabem, mas na época do SOS Ponta Negra tive meu celular grampeado… mas isso é outra história e não estou aqui me lamentando, nem quero, nem devo. São apenas constatações de um viajante que acaba de chegar lá do Brasil que funciona, mas que defende a terrinha com unhas e dentes – sem deixar de ser crítico e realista.

    Tá faltando planejamento a médio e longo prazo, compromisso social e vontade política!

    Como disse Raul: pare o mundo que eu quero descer (ou subir, como diz Ailton Medeiros).

    Abraços e no aguardo de melhores dias.

  3. Jarbas Martins 18 de janeiro de 2011 15:41

    Acompanho de longe, há muito tempo, o seu trabalho, amigo Yuno.É sério, e reconhecido por muita gente boa.Siga em frente.Grande abraço.

  4. Marcos Silva 18 de janeiro de 2011 10:37

    Yuno:

    É necessário e urgente denunciarmos os desmandos governamentais. Apesar deles, gosto de muita coisa em Natal: o Parque das Dunas, o Potengi, a Feira do Alecrim, o Campus da UFRN, a Lagoa de Genipabu (acho que nem é mais município de Natal), a Praça André de Albuquerque… Praias urbanas são grave problema no Brasil mas existem congêneres magníficas a uma hora ou menos de Natal. Gosto ainda do Mercado de Petrópolis (ainda funciona?),do Mercado do Alecrim (ainda funciona?), do Beco da Lama (no nível de congêneres soteropolitanos), de andar à toa na Ribeira e no Areial, também de andar naquele bairro que fica entre o Cemitério do Alecrim e o Potengi (não sei bem o nome). E tem pessoas que são patrimônios: Mailde Pinto, Diva Cunha, Joel Carvalho, Luiz Damasceno… (sei bem que não estão expostas à visitação pública mas vale registrar). Museus e bibliotecas são fracos mesmo mas onde encontrar mais coisas sobre Cascudo que no Ludovicus? E tem o Instituto Histórico pra quem gosta de tempo humano.
    Gosto muito de Natal. Ao mesmo tempo, sei que Natal, como toda cidade, contém aspectos horríveis, a serem superados.

  5. Yuno Silva 18 de janeiro de 2011 10:33

    prof. Jarbas, satisfação grande trocar essa ideia contigo.

    O que sinto por essas bandas é que as pessoas “pensam” que estão – o tempo todo – só de passagem, que Natal é só um pit stop e é aí que mora o perigo: ninguém se sentem responsável pelo bem estar e o bom funcionamento da cidade.

    Muita gente de fora (outras cidades, estados países) somada a falta de identidade cultural dá nisso. Fomos invadidos pelos portugueses, depois vieram os holandeses e os portugueses de novo. Segunda Guerra, lavagem de dinheiro gringo e por aí vai.

    Uma hora a ficha cai, o perigo é a ficha cair na hora do game over.

    Abraços.

  6. Jarbas Martins 18 de janeiro de 2011 9:41

    Olha, Yuno, existe um ditado que meu avô, Antonio Zacarias de Araújo,
    fundador do primeiro jornal, que circulou em Angicos, advogado e professor,
    repetia como um mantra:”Natal? Não há tal”.

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