O segundo dia do FLIN

Por Tácito Costa – Fotos: Marco Polo

Um espectro ronda as feiras, festivais e demais eventos literários realizados em Natal, e presumo, no Nordeste, o do regionalismo, movimento que já tem mais de 80 anos, mas que sempre retorna pra chatear os escritores, do Nordeste e Norte, claro.

No Festival Literário de Natal (FLIN) não está sendo diferente. A questão esteve presente na mesa de Tânia Lima e Milton Hatoum, na quarta-feira, e na de Humberto Hermenegildo, Ronaldo Correia e Rubens Figueiredo, a primeira da noite de ontem.

Hatoum, por exemplo, disse que Graciliano e Amado não são regionalistas. Relembrou que esse rótulo foi criado pelo crítico Otávio de Farias, que ninguém nem lembra e nem sabe mais quem foi. O objetivo era depreciar a literatura nordestina. Sobre a produção literária da década de 30 o autor amazonense disse que foi um dos períodos mais frutíferos da literatura brasileira.

Dos três escritores, o que respondeu melhor foi Figueiredo, embora não tenha dito nenhuma novidade. Em síntese, segundo o escritor, trata-se de um discurso de poder, emitido a partir de uma pretensa hegemonia cultural, que se arvora o direito de dizer que determinada escritura é regionalista. O intuito não é outro senão depreciar, desvalorizar essa literatura.

A mesa que abriu o evento ontem à noite foi curiosa, juntou dois escritores antípodas, de um lado Ronaldo, extrovertido, que se expressa bem e com clareza, e do outro Figueiredo, tímido e que tem dificuldades em ser claro. A gente percebe que ele é do ramo, conhece literatura, tradução etc, mas não consegue comunicar o que sabe com clareza. Em alguns momentos entrou num “oito” que deixou-me mais perdido que cego em tiroteio – rs.

A segunda mesa, com Vicente Serejo e João Paulo Cuenca, tratou da crônica. Eu já tinha assistido Serejo explanar sobre esse ofício. Ele não apenas conhece profundamente esse gênero, como possui uma bibliografia ampla e se comunica com uma facilidade muito grande. Dominou o encontro, restando a Cuenca o papel de coadjuvante. Senti falta nessa mesa de um mediador.

Miguel Wisnik encerrou as falas da noite. Abordou a vida e obra de Vinicius de Moraes e também cantou sozinho e depois com Gereba e Vânia Bastos, alguns clássicos do poeta e compositor. Teve pouco tempo para falar e por isso se fixou mais na relação do poeta com a bossa nova, sobretudo com Tom Jobim.

O show de Gereba (violão) e Vânia Bastos (voz) encerrou a segunda noite. Fazia tempo que não ouvia a cantora, está numa forma excepcional, foi um deleite ouvi-la interpretar os clássicos de Vinícius.

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