O silêncio dos livros

becket

“Não sei de cor a numeralha que envolve a Bienal do Livro do Rio. Mas é coisa alta, altíssima, em termos de autores, eventos, palestras e, claro, livros. Ontem, passei 11 horas entre as estantes e fiquei com uma vontade danada de vir para casa. Para ler. Pois, obviamente, livro e confusão definitivamente não combinam.

Eis que, via Senhor Palomar, descubro um oásis na web que não posso deixar de dividir: O Silêncio dos Livros. Trata-se um blog silencioso num mundo povoado por blogs como este aqui, tagarelas. E, nas imagens que ali são postadas, fotografias e telas retratam única e exclusivamente pessoas e livros e, quase sempre, pessoas lendo estes livros.

Ernest Hemingway

Navegar nele dá uma paz danada. E faz pensar na solidão de Hopper quase sempre povoada por um livro, na bela Marilyn e na desgrenhada Patti Smith concentradas em suas leituras, no livro na cadeira de Van Gogh e nas mãos do Doutor Gachet, em cenas de Godard e no tocante anjo de Wim Wenders, nas mãos do profeta Zaccaria de Michelangelo ou de Corto Maltese.

Para ilustrar este início de maratona livrística, escolho este Beckett aí de cima. Entre ele e o livro há uma óbvia distância, mas eu diria mesmo que uma desconfiança. Distância e desconfiança mútuas, creio eu, e que dizem tudo de Molloy, Malone e do Inominável – do romance que ele assim batizou e da dificuldade de definir essa paz silenciosa e atordoante da leitura.” PAULO ROBERTO PIRES

manet

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