O Sorriso da Mona-Lisa do Cinema

Foi num dia 15 de abril que a atriz sueca Greta Garbo se encantou. Uma deusa no Olimpo das estrelas do cinema. Um mito que habita as regiões mais recônditas do ser intemporal. Greta Garbo – “A Divina”, jamais morrerá pois sua arte é eterna. Aos 40 anos abandonou a carreira para entrar na região habitada pelo silencio. Não precisava dizer mais nada: tinha se transformado num mito.

Ela foi Rainha, Condessa Karenina, Espiã, Dançarina, Agente do Governo Soviético e Margarida Gautier no célebre filme a Dama das Camélias, um dos seus maiores filmes. Uma Dama das Camélias maravilhosa e triste como só ela podia representar. Nesse filme ela é a mundana (Camille) que se apaixona pelo moço granfino( Robert Taylor), numa das mais belas historias de amor.

Contracenou, ainda, com alguns dos maiores atores do cienma: John Gilbert, Robert Montgomery, Charles Boyer, Melvyn Douglas em uma carreira curta e definitiva para o cinema que jamais seria o mesmo depois dessa mulher triste como só o belo consegue ser.

Em um festival no cinema Rio Grande (Natal – RN), vi os seus principais filmes. Nunca esqueci aquele rosto belo, enigmático e profundo. Impenetrável. Uma Monalisa do cinema. Ninguém podia imaginar que aquele rosto pudesse sorrir. Nada era mais distante daquele olhar que um sorriso fácil de simples mortais. Os deuses são diferentes e sua matéria é o da nossa imaginação e sonhos habitados eternamente pele Divina Garbo. Seu rosto é patrimônio da humanidade e tem a perenidade do absoluto. Sua matéria é outra. Uma mulher de uma elegância e charme que vem encantando gerações e gerações.

Só um gênio do cinema podia fazer aquela Deusa sorrir. Ninguém acreditava que ela uma dia pudesse sorrir. O grande diretor Ernst Lubitsch (A Viúva Alegre) conseguiu essa proeza num filme que foi lançado há setenta anos atrás. Em “Ninotchka” (1939), Garbo é uma inspetora enviada de Moscou a Paris para observar o comportamento de três representantes do governo que têm como missão negociar uma jóia do Tzar. Esse grande trio de atores Europeus – de quem Garbo se tornaria amigo, é formado pelos excelentes Sig Rumann, Felix Bressart e Alexander Granach. Ninotchka (Garbo) acaba sucumbindo ao capitalismo e se envolve com o Conde Francês Leon d’Algout (Melvyn Douglas), o amante da Duquesa Swana ( Ina Claire) – rival na vida e no cinema da Divina Garbo. Essa primeira comédia feita pela atriz Greta Garbo teve ainda a participação do grande ator Bela Lugosi. O Conde-galanteador faz de tudo para conquistar o coração da fria comissária e conta umas piadas muito sem graça. Num restaurante, depois de contar várias piadas, o rosto de Ninotchka continua indócil e belo. Só depois que o conde apóia numa mesa e vai ao chão, é que a Divina cai numa gargalhada que contagia todo o restaurante. Pronto: Garbo havia sorrido e o mundo do cinema não seria o mesmo. Ela vai continuar lembrando das piadas do galanteador que a essa altura já a conquistou com direito a beijos (em boca fechada). Numa reunião de trabalho na volta à Rússia, ela lembra das piadas e cai na gargalhada para espanto dos colegas. O conde definitivamente havia conquistado a Deusa e um milagre aconteceu para sair do mundo do cinema e virar uma lenda. A fascinante atriz Greta Garbo logo abandonaria o cinema para se transformar num mito. Nunca houve uma atriz como ela. Sua beleza continua a nos alegrar como num rosto visto por um espelho que eterniza e elimina o tempo.

A mesma história de Ninothcka foi filmada depois em “Meias de Seda” pelo diretor Ruben Memoulian, em 1957. A atriz-protagonista era a bela Cyd Charisse, dona de um dos pares de pernas mais belos do cinema. O filme não fez sucessor, claro. Difícil apagar um mito que nunca precisou mostrar seu corpo para povoar nossos sonhos e imaginações, eternamente agradecidos a essa Deusa Eterna do Cinema.

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