O suporte futuro do saber

Esse texto (postado aqui abaixo, no SPlural) de João Luiz Rosa, Heloísa Magalhães e Cibelle Bouças, sobre o “futuro do livro”, merece algumas reflexões e considerações.

As bibliotecas são equipamentos imprescindíveis para a comunidade humana e merecem, sempre, ampliações, melhorias e constante preservação. Os livros são objetos de valor incomensurável quando considerados como suportes da palavra e do saber. Nada os superou até hoje como principal patrimônio e tesouro intelectual da humanidade.

Falo isso na condição de alguém que considera uma biblioteca um lugar sagrado; na condição de quem conheceu inúmeras grandes bibliotecas públicas e particulares e sempre penetrou em seus recintos como alguém que ingressa numa igreja.

Há exemplos de grandes bibliotecas pelo mundo e cada uma tem cumprido, historicamente, papeis fabulosos na difusão do saber e do conhecimento armazenados durante séculos e séculos e séculos.

Ocorre que o livro não é o único suporte para o saber e para o conhecimento e a tecnologia começa a nos apresentar outras possibilidades que, associadas àquele, podem provocar uma muito maior e melhor democratização dos saberes pelo mundo.

A internet é revolucionária e isso todo mundo já sabe. E tem revolucionado em todos os campos: científico, artístico, político… A partir e através dela e de suas sub-redes (se se pode chamar assim) temos visto e compreendido (mesmo que de forma lenta e paulatina) um poder incomensurável na transmissão de ideias e de palavras de ordem…de todas as ordens.

E aí, passo a me perguntar? Será que já não chegou a hora de substituirmos o suporte de papel, que é aquele dos livros, jornais e revistas, pelas novas tecnologias da internet e de equipamentos como o Kindle e o Ipad, dentre outros?

E me faço outras perguntas, a todo tempo:

– Será que não ganharemos se elegermos um equipamento mais ecológico que aquele outro que depende do corte de milhares de árvores?

– Será que não ganharemos em termos de maior possibilidade de acesso e economia (que certamente virão com o tempo)?

– Será que não teremos mais entusiasmo na leitura se ela vier acompanhada de inúmeros recursos visuais e sensoriais de todos os tipos?

– Será que melhorará a leitura de livros se vierem com possibilidades inúmeras de traduções?

– Será que não nos interessará a possibilidade de viajar levando na mala uma biblioteca ambulante?

– Será que não teremos mais conforto com o equipamento menos poluente e menos pesado? (Penso aqui no trabalho hercúleo de arrumar e limpar as bibliotecas, protegendo-as da poeira e dos ácaros e traças. Penso, também, na grande quantidade de livros que meus filhos têm levado na mochila escolar, provocando desconforto físico evidente)

– Será que o livro se tornará um objeto arqueológico e de museus, como os papiros antigos?

Essas e outras reflexões continuarão comigo nos próximos tempos. E sei que, logo, estarei adquirindo o meu leitor portátil para dele fazer o melhor uso.

No entanto, como me separarei de meus queridos livros que aprendi a cultuar e cultivar durante tantos anos? Eis a maior das perguntas que me faço?

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

dezenove − 12 =

ao topo