O Vale-Tudo

Adriano de Sousa, no Novo Jornal (via blog Território Livre)
http://www.lauritaarruda.com.br/

Sempre que uma liderança empolga o poder, arrasta para o centro do palco personagens até então periféricas ou emboscadas nas franjas do drama. Essas figuras são de dois naipes: os aliados partidários, que emergem naturalmente em consequência do jogo de composições políticas, e os cortesãos de ofício, que irrompem(ou se mantém) na cena não por seus dotes poíticos, o talento para a gestão ou o espírito republicano; mas por ligações pessoais com o novo astro irradiante.

Um bom termômetro das cotações na bolsa do mandonismo são as colunas e blogs do mundanismo, que trocam de ações ao ritmo das trocas de guarda no poder. No caso da gestão municipal, não é preciso nenhuma cabala especulativa para identificar os parceiros políticos e os cortesãos, e, entre os últimos, quais detêm maior ou menor gradação – de poodle a pitbull – de fidelidade a ferocidade em defesa do quintal verde. À medida que a imprensa ilumina as zonas periféricas e a central do micarlismo, noticiando-lhe os atos e perfilhando-lhe os agentes e os pacientes, cristaliza-se o retrato da administração como um mix de república da televisão e república doméstica.

A figura epitômica é Miguel Weber, que saltou das ondas do rádio e da TV para o surf político de alto rendimento, manobrando num pranchão irresistível: a condição de consorte. Mal Micarla tomou posse, Weber ganhou status de divindade no panteão político. Frequentou listas de candidatos a senador, a vice-governador e a deputado federal, simulando uma força claramente decalcada no estado civil e na suposição de que isso basta como capital eleitoral. Com o pífio desempenho da administração no primeiro ano de mandato, rebaixou-se a cotação de Weber.

Ele ainda figura na lista de potenciais vices de Iberê Ferreira, mais por exclusão(o lugar seguirá indesejável, até que Ferreirão chegue a índices superlativos de intenção de votos) do que por mérito ingênito. Porém, oráculos mais recentes já o antevêem na Assembleia Legislativa, na composição em que Micarla apoiaria a candidata Rosalba Ciarlini, amadrinhando chapa de deputado estadual atrelada à candidatura federal de Paulo Wagner (único verde imune ao definhamento de popularidade da prefeita).

Miguel Weber tem perfil belicoso, exibindo alentado cartel de enfrentamento(aberto ou velado) com políticos e blogueiros da aldeia, damas e valetes da administração. Não à toa, ele é fã de vale-tudo, aquela modalidade de combate corporal cujo nome é autoexplicativo. E que tem tudo a ver com o padrão que a maioria dos verdes, vermelhos, azuis, amarelos, laranjas, marrons, pretos e brancos adota na arena política.

ao topo