O Zé dos Josés

Por Shannya Lacerda

E agora José? Tu criastes tudo e muitos ainda te tem intimamente como um Mané, a quem todos recorrem, utilizando a monossílaba, substantiva, adjetiva, mitológica e impregnada de valores pronunciados pelas duas letras de som gritante: FÉ (?)

E agora José? Botasses tantos Zés no mundo e a eles não importa de fato quem tu és?

E agora José? A precariedade acional de tuas ações recaem no mito. Saber quem fez o quê, é difícil e o autor é um tal de Zé.

E agora José? Tua onipotência equivale no drama a uma trama de análises, cabendo a tu escutar e absolutamente nada cobrar.

E agora José? Donde anda tua presença? Se na tua ausência ninguém propaga a fé em ti! Oh criador…!

E agora José? De que te valeu ter criado, tu, tantos falsos ateus?, se vives solitário e angustiado, esperando pela próxima choraminguela, ou até mesmo soluço íntimo a te chegar aos labirintos de teu pensar.

É, julgar é difícil. E se erras és o culpado; fostes um mané igual ao Zé, que por não ter estudo, esbarrou no homem astuto de terno e giz que nunca escreve o que diz.

E agora José? O defunto a ti chegou, tu irás em tua bondade salvá-lo. E ele irá novamente valer-se disso, te chamando por trás do olvido: “– foi zé quem me salvou!”

E séculos e mais séculos se passarão e teu nome perpetuar-se-á cada vez mais confundido com aquele Zé ingênuo lá do sertão abatido.

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