Obra de Gastão Cruz chega ao Brasil

portugues

Com quase cinco décadas de atividade literária e mais de 20 livros publicados, o poeta português Gastão Cruz tem um extenso currículo – que inclui os prêmios do PEN Clube de seu país e da Associação Portuguesa de Escritores – mas só agora vê sua obra chegar ao público brasileiro, com o lançamento de “A moeda do tempo e outros poemas” (Língua Geral”). Organizado pelo professor de literatura portuguesa da UFRJ Jorge Fernandes da Silveira, o livro reúne a obra completa de Cruz, desde o primeiro poema, “A morte percutiva”, de 1961, ao recente “A moeda do tempo”, de 2006.

Cruz esteve no Rio para o lançamento do livro e falou para uma plateia numerosa na Casa de Rui Barbosa, em Botafogo, a respeito de sua obra e de sua relação com a poesia brasileira. Revelou sua admiração por Carlos Drummond de Andrade e João Cabral de Melo Neto, e leu poemas dois dois autores que o influenciaram.

– Drummond teve tamanha influência sobre a geração anterior à minha, a dos anos 1950, que era como se fosse de fato de um poeta português. E de Cabral tirei uma lição de rigor, de sentido da construção do poema.

Se os poetas brasileiros são conhecidos e influentes em Portugal, o atraso na chegada da obra de Cruz ao Brasil aponta uma certa defasagem no intercâmbio literário com os lusos. Professor universitário, Cruz faz sua parte, divulgando poetas brasileiros clássicos e contemporâneos em seu país (já ciceroneou visitas de Antonio Cícero e Eucanaã Ferraz a Lisboa).

Os textos reunidos em “A moeda do tempo e outros poemas” foram inteiramente revisados por Cruz para esta edição brasileira, que inclui, em meio a poemas sobre sua cidade-natal, Faro (onde fica a “Rua de Portugal” que dá título a um dos livros reunidos na coletânea), e sobre Lisboa, alguns textos inspirados por suas visitas ao Brasil. Leia abaixo um deles:

Luz do Leblon

No inverno tão
quente semelhante
a um verão amamos a
incerteza

Com voz igual
o mar retrata o ávido
cheiro do corpo o aroma a
sangue
impossível de manter escorrendo
sobre a pele molhada
de outro mar

O verão do Leblon nega o seu
nome
escondemo-nos
na luz reconhecendo-o

Go to TOP