Obra e autor em direções opostas

Há muito tempo compreendi que a obra de arte e o pensamento do autor muitas vezes caminham em direções opostas. A obra pode ser de altíssima qualidade, revolucionária até, Borges, Pound, Céline (só para citar três bem conhecidos), e o autor um reacionário, fascista, defensor de ditadores e antissemita.

Nem é preciso ir muito longe para ter consciência disso. Cascudo mesmo nutriu simpatias pelo Integralismo. Lembro disso porque há poucos dias o Novo Jornal (edição de 31 de julho último) publicou matéria onde se lê que, “ao contrário do que alguns historiadores defendem, ele nunca foi fascista”. Não é negando a história que a biografia de Cascudo ficará maior ou menor.

Essas questões vieram à tona há pouco depois que li no Globo que Eastwood minimizou posições polêmicas de Trump e anunciou seu voto no candidato do Partido Republicano (aqui). Não que o conservadorismo político de Eastwood seja novidade. Isso já é conhecido, ele é do mesmo partido de Trump e já foi prefeito pelo PR.

E aqui eu lembro, especialmente, do filme Gran Torino, que tem um olhar bem diferente sobre a imigração daquele defendido por Trump. Contradições que embaralham juízos críticos peremptórios.

Mas sempre incomoda e provoca certa tristeza ver um cara do qual você é fã com posicionamento político tão reacionário. Não deixarei de assistir os filmes do diretor, claro, continuarei admirando-o, mas crítico com relação às suas opiniões políticas. Como deve ser, sempre.

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