Ocupe tudo!

Se o afastamento temporário de Eduardo Cunha (PMDB/RJ) foi um mero teatro para dar ar de legalidade e legitimidade ao golpe e de “imparcialidade” ao Supremo Tribunal Federal; se realmente os golpistas sacrificaram o gângster, revelando que o golpe – que parecia umbilicalmente atrelado ao bandido – é mais do que ele e todo o poder de chantagem, achacamento, ameaça e intimidação que representa, que as forças reais por trás da derrocada da democracia (multinacionais estrangeiras, capital financeiro, Fiesp, latifúndio, indústria do armamento, fundamentalismo evangélico et caterva) podem se dar ao luxo de primeiro usar e logo após descartar até um perigosíssimo mafioso; se o golpe, como pensam alguns, não é um bloco monolítico de interesses, mas um campo de disputas internas, o que deixaria brechas para revertê-lo, pouco importa.

O que está mais claro do que nunca é que não só a luta contra o golpe, mas a saída para a mudança real do sistema político e o aprofundamento radical da democracia brasileira não está nas instituições liberais definitivamente gastas (quando não sequestradas), mas nas sementes democráticas que estão desabrochando nos mais diversos rincões do país: as ocupações de escolas, de Assembleias Legislativas, do Senado, até mesmo do plenário da Câmara por deputadas e deputados que não compactuam com os podres do sistema; as lutas de cada vez mais mulheres contra o sexismo impregnado no golpe; os escrachos de golpistas, de apologistas de torturadores, etc.

Na França, o movimento Nuit Debout ocupa as principais praças do país há mais de um mês, está promovendo um repensamento geral da democracia e pouco ou nada disso se vê e comenta por aqui, mas sinais de que algo parecido pode ocorrer em terras tupiniquins são muitos e fortes.

Está na hora de acampar nas praças, de ocupar as sedes do poder (público e privado), de interditar ruas e avenidas, de paralisar todos os setores, de debater pública e democraticamente em todos os espaços: está na hora de uma nova primavera democrática! Ocupemos tudo!

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