ODE DO DESESPERADO

Caros amigos,

segue essa preciosidade: poema do antigo Egito, mudado para português por Herberto Helder, notável e atual poeta português, em seu livro “O Bebedor Nocturno”:

Horácio Paiva

 

ODE DO DESESPERADO

 

A morte está agora diante de mim

como a saúde diante do inválido,

como abandonar um quarto após a doença.

 

A morte está agora diante de mim

como o odor da mirra,

como sentar-se sob uma tenda num dia de vento.

 

A morte está agora diante de mim

como o perfume do lótus,

como sentar-se à beira da embriaguez.

 

A morte está agora diante de mim

como o fim da chuva,

como o regresso de um homem

que um dia partiu para além-mar.

 

A morte está agora diante de mim

como o instante em que o céu se torna puro,

como o desejo de um homem de rever a pátria

depois de longos, longos anos de cativeiro.

 

(Poema do antigo Egito mudado para português por Herberto Helder, em seu “O bebedor nocturno”)

 

Comentários

Seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

15 − onze =

ao topo