Odisséia (dos tempos em que líamos Cortázar )

Por Jarbas Martins

…encontrarmo-nos às l8,l5, em frente a uma igreja barroca, pegarmos uma estrada, numa quarta-feira, sem uma cidade, vila ou pousada previamente escolhidas, evitando as praias, suas estridências luminosas, repletas de turistas e vendedores, de qualquer produto que te fascine como a uma suscetível criança falsa; e dessas cidades e vilas e cidades, ao invés de, formar uma colar de nomes que te ofereço como um colar surreal para tua garganta branca de papisa. collar, cascabel ebrio, verso de pablo neruda, que adoras propositalmente confundir com octavio paz. ebrio collar, cascabel. e inventas para teu gozo o octavio neruda ou um pablo paz, pouco importa.collarcascavelebrio. repetes enquanto desviamos de motéis, o que sem dúvida é bem mais excitante, como me estimula não te tocar o sexo, e, ao invés de, advinhar o cheiro do teu sexo, o formato de tua vulva, palavra como uma relíquia, vulva aberta como uma flor ou uma concha marinha, para o toque estudioso dos meus dedos, da minha voz em gritos e sussurros- euteamo, eu te amo, eu teu eumeu, tu minha circe (foto)– e para os meus beijos elétricos como os colibris; porque não uma dose de fetichismo e, em uma pequena casa alugada, próxima ao mar, você paramentada com um vestido negro e uma venda de themis nos olhos, ouvindo vivaldi e sonetos de shakespeare, ou dylan thomas, em velhos discos de vinil, e eu te rogando como um ulisses acorrentado, para que me deixasse para sempre perder-me em teu mar de endriagos e sereias e bússolas destroçadas- mas ler homero não estava nem nunca esteve em nossos planos.

Comentários

There is 1 comment for this article
  1. Alex de Souza 13 de maio de 2010 14:10

    Arrasou, professor.

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