Olhar

Por Cristina Oliveira

Eu tenho óculos, minha vista embaça em lágrimas derramadas;

Eu uso batom, meus lábios racham pelas risadas gratuitas;

Vivo intensamente, sou incoerente…

Sou mulher, os anos passam rápido,

Se feliz, volto a ser criança,

Cheia de esperança a cantarolar pelas estradas à fora…

Faço planos, escrevo histórias;

Aquieto-me! Relembro vidas;

Expectadora do meu passado,

Coadjuvante de meu presente,

Autora de meu futuro.

Afloro várias de mim, sou assim…

Antítese em vida,

Por vezes caricatura de ser,

Por vezes rainha soberana…

De certo, oposto do que consideras,

Teimo em ser substantivo próprio,

Em construir adjetivo único.

Nas lembranças descobri: Eu não uso óculos!

Cega por vida, caminho tateando…

Caindo, tropeçando, descubro minha linhas escritas.

Tortas, desgrenhadas, mas belas.

Em cores, faço versos;

Em luz, perco-me!

Em palavras me transformo e sigo a passear com o vento.

Se iro, destruo meus sentimentos como um terrível tufão;

Se amo, suavizo-me como a mais tênue brisa a acariciar sua face.

Sou tempo que não volta…

Impossível quantificar, qualificar, segurar;

Sou a própria vida a esvair-se…

A passar por ti sem que consigas domar.

Comments

There are 4 comments for this article
  1. Marcos Silva
    Marcos Silva 1 de Fevereiro de 2014 21:29

    Seu poema possui bonitas passagens, como “coadjuvante de meu presente”, “antítese em vida”, “cega por vida”, “em luz, perco-me”. Sugiro que vc repense essas conquistas e reescreva o poema. Periga elas serem o poema.

  2. Danclads Andrade
    Danclads Andrade 2 de Fevereiro de 2014 17:22

    O poema todo é belo, mas tem versos que o realçam ainda mais:

    “Aquieto-me! Relembro vidas;
    Expectadora do meu passado,
    Coadjuvante de meu presente,
    Autora de meu futuro.
    Afloro várias de mim, sou assim…
    Antítese em vida,”

    “Em cores, faço versos;
    Em luz, perco-me!”

    “Sou tempo que não volta…
    Impossível quantificar, qualificar, segurar;
    Sou a própria vida a esvair-se…”

    A vida, o tempo, o ser, tudo bem colocado neste poema que é uma grata surpresa neste fim de domingo.

  3. Cristina Oliveira 6 de Fevereiro de 2014 11:34

    Obrigada pelos comentários, é sempre uma forma de acalentar o coração de quem escreve.

  4. Ednar Andrade
    Ednar Andrade 6 de Fevereiro de 2014 19:31

    Olá,Cristina Oliveira .

    Parei aqui para rever-me- rs….

    “Em palavras me transformo e sigo a passear com o vento.
    Se iro, destruo meus sentimentos como um terrível tufão;
    Se amo, suavizo-me como a mais tênue brisa a acariciar sua face.
    Sou tempo que não volta…”

    Li,gostei,está belo.

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