Onde está a memória?

machadão

Vi, pelo youtube, a queda do último verso do poema de concreto armado. Assisti com a indignação daqueles que são contrários a certas condutas que alijam de um povo a sua memória, no caso, o fim do Estádio João Machado.

Ver sumir no ar o último fragmento do Machadão me transmitiu uma sensação de desrespeito com o passado. É certo que outro estádio será construído em seu lugar, mas já não há, no plano físico, o espaço onde craques como Souza, Alberi, Piaba, Marinho Chagas, Danilo Menezes, dentre tantos outros desfilaram seu repertório de dribles e jogadas. Já não há o espaço onde a emoção de um título ou o travo amargo de uma derrota fizeram torcidas chorarem ou sorrirem. E tombou o Machadão que, me desculpem o trocadilho infame, deveria ser tombado pelo Patrimônio Histórico e não pela picareta.

Este fato, no entanto, parece-me ser um modismo mundial, posto que aqui e acolá a memória futebolística vem sendo, aos poucos, apagada. O Estádio Mané Garrincha, por exemplo, que já foi demolido sem a menor piedade para a realização da Copa de 2014, sofreu outro duro golpe: o nome do estádio foi trocado para Estádio Nacional de Brasília, em franco desrespeito àquele que muitos acham ser um dos melhores (e há quem diga que foi o melhor) jogador de todos os tempos: Garrincha. Lembro, agora, que o Estádio Sarriá, de memória lamentável ao futebol brasileiro, não mais existe: foi demolido para virar um estacionamento. Ou seja, onde Paolo Rossi fez três gols, onde Sócrates e Falcão também marcaram gols, hoje alguém está estacionando o seu veículo. E o que dizer do Estádio Råsunda, em Estocolmo, onde o Brasil conquistou sua primeira Copa do Mundo, o qual será demolido e dará lugar a um Shopping Center?

Apenas para lembrar aos estadioclastas de plantão: o Coliseu de Roma, construído entre os anos de 68 d.C e 79d.C e que servia, não para a prática de esportes, mas para gladiadores se matarem ou para cristãos serem mortos por feras, ainda está de pé e é uma das 7 modernas maravilhas da humanidade.

Brasileiro, nordestino, alagoano, advogado, cidadão comum, simples habitante deste planeta decadente... Rs... [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Danclads Andrade 26 de novembro de 2011 19:59

    É meu caro Anchieta Rolim, como diria Caetano Veloso: “A força da grana que ergue e destrói coisas belas…”

    Valeu!

  2. Anchieta Rolim 26 de novembro de 2011 12:39

    Concordo Danclads, essa tendência está ligada ao poder econômico. O dinheiro tem que circular de uma forma ou de outra. Um verdadeiro jogo de interesses. Creio eu que, no caso do Coliseu de Roma, ainda está de pé devido a indústria do turismo que é muito forte na Itália. Caso contrário, já estaria em seu lugar, um Shoping Center ou outra coisa qualquer.
    Abraço!!

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