Ônibus da porra!

Por Carito
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A terra voltou a tremer no RN. A situação não é para brincadeira, mas não posso deixar de registrar um causo engraçado no qual eu mesmo fiz parte. Em 1986 a terra tremeu forte aqui em Natal. O epicentro foi na cidade de João Câmara (conhecida antigamente como Baixa Verde), a 73 km da capital. Eu morava com minha família numa casa de primeiro andar no bairro de Petrópolis, na Rua Cônego Leão Fernandes – rua simpática, bucólica, pequena, estreita, escondida por entre as grandes e largas avenidas desse antigo bairro natalense. Nessa época, na vizinha Rua Mossoró já transitavam os ônibus. Como morávamos em um sobrado, era comum sentirmos algum tremor no andar de cima, quando deitávamos na cama e passava algum ônibus na rua próxima e movimentada. Nesse dia, estávamos eu e meu irmão Mário Ivo lendo nas nossas camas quando a estante começou a tremer e balançar os objetos, a cama tremeu, o quarto todo tremeu. Nunca tinha acontecido um tremor tão forte e tão duradouro assim. Olhamos um para o outro e eu disse:

– Ônibus da porra!

Duas décadas depois meu amigo hoteleiro, geólogo, fotógrafo e surfista Eduardo Bagnoli me contou um fato histórico curioso: numa época remota, os índios que moravam na região de João Câmara batizaram com um nome indígena um monte que fica próximo à cidade. Não sei se o nome correto dessa elevação é monte ou morro ou serra. Também não lembro o nome indígena, mas seu significado é “monte que ronca” ou “morro que ronca”. Parece que o morro está vivo e acordando novamente.

Pesquisando na internet, encontrei um texto sobre a Serra do Torreão no site da Câmara Municipal de João Câmara, extraído de um livro de Aldo Torquato. Acredito que deve ser a mesma serra que ronca. Destaco essa parte do texto:

“Muitas pessoas diziam também que os estrondos que davam em Baixa-Verde eram por conta de uma cama de baleia que havia debaixo da serra. Segundo a crendice popular, o local, muito antigamente, fora mar e um grande reservatório de água se escondia por sob a serra. Nesse reservatório, morava uma baleia gigante que, quando se movia, provocava os estrondos.”

Ônibus passando, morro roncando, baleia se movendo… E a gente tremendo nas bases!

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