Opção de Juventude

Por François Silvestre

O lado histórico onde me situo é a Esquerda. Não senti nem sinto necessidade de mudança de lado. Mudo de opinião, sobre tudo, se necessário. Da lição de Stendhal, “se não posso mudar de opinião, minha opinião será o meu tirano”. Mas não mudo da percepção dos princípios que modelaram minha juventude. E minha mocidade é o curativo da minha velhice. Meu orgulho. Acreditei no PT, mesmo sem ser petista. A descrença que hoje me  move e me distancia do petismo não me leva à Direita. Muito pelo contrário, foi o petismo que mudou de lado. Fez a apologia da ética, só no discurso. Esquerda no varejo e Direita no atacado. Honesto no varejo e ladrão no atacado. Esperança no varejo e desencanto  no atacado. Não sou aliado da Direita, nem quero aproximação com ela, nesse embate. O petismo aproximou-se da Direita. Que vivam na promiscuidade política dessa união espúria. Sou e vou continuar de Esquerda. Sem misturar amizades com ideologias. Porém, sem fazer concessões de princípios. A minha juventude não está à venda. Sento-me à esquerda da Assembleia, de onde o poder e o oportunismo buscaram assento, à direita, tangidos pelo encanto dos negócios.

Ex-Presidente da Fundação José Augusto. Jornalista. Escritor. Escreveu, entre outros, A Pátria não é Ninguém, As alças de Agave, Remanso da Piracema e Esmeralda – crime no santuário do Lima. [ Ver todos os artigos ]

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