Optando pela magia

Prezado Mário Bertolino:

Blanche DuBois, personagem de “Um bonde chamado Desejo”, preferia a magia à realidade e acabou internada num hospício. Correndo o mesmo risco que ela, argumento que alguns brasileiros lêem: eu, você e outros mais.
O Brasil tem uma péssima história do livro: proibição colonial, raridade imperial e até republicana, menospreza de luxo – clássicos indicados em vestibulares para não serem lidos, exceto em resumos de resumos. Quando Monteiro Lobato começou com sua editora, descobriu, apavorado, a inexistência de livrarias em nosso país e propôs vender os livros em quaisquer pontos disponíveis – farmácias, mercearias, etc. Hoje em dia, isso mudou (temos grandes livrarias) mas as livrarias físicas existentes são mais vitrines de best-sellers. Restm ainda as virtuais, ao menos confortáveis – entregam em casa. Mas conviver com livros, livreiros e compradores de livros foi um grande prazer em minha juventude, confesso.
Recordo que livro é caro e salário é muito baixo entre nós – bombástico aumento do mínimo para R$ 510! Apesar disso, conseguimos gerar Cruz e Souza, Lima Barreto, Murilo Mendes, Carlos Drummond, Graciliano, Clarice… E juro que conheci pessoas que choraram e gozaram LENDO esse povo.
Abraços esperançosos:

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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