Orgulhos e poderes – todo dia era dia de hetero

Na cidade de São Paulo, foi aprovada pela Câmara Municipal a criação de um Dia do Orgulho Hetero, com grandes possibilidades de ser sancionada pelo prefeito. Setores dos grupos e movimentos GLTS denunciam o teor potencialmente preconceituoso daquela proposta, que até legitimaria conhecidas violências contra quem é considerado não-hetero (v. episódio recente de pai e filho em rodeio paulista). Aqueles setores têm certa razão ao fazerem a denúncia. Mas deixam de observar a capitulação dos preconceituosos ao espaço de visibilidade efetivamente conquistado por GLTS. A necessidade de alardear a condição hetero tem uma faceta defensiva não porque esse último grupo sofra agressões (alguém insulta aquela jovem atriz por ser casada com um jovem jogador de futebol? ela precisa esconder o tesão pelo marido e vice-versa?) mas porque ele perdeu a hegemonia absoluta.
A FSP publicou hoje (6.8) carta de um leitor propondo um Dia da Igualdade. A idéia é ótima. Sabemos quem não a acatará.

Talvez caiba um Dia da dor e da delícia de ser o que se é, citando a canção de Caetano Veloso.

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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