Os 29 anos ardentes do Chili Peppers

Red Hot Chili Peppers - Ellen von Unwerth

Foto: Ellen von Unwerth

Por Gary Graff
NEW YORK TIMES – NO ESTADÃO

Banda festeja o lançamento do décimo álbum de estúdio com a turnê mundial ‘I’m With You’

Em 1988, quando Chad Smith chegou para participar dos testes seletivos para baterista dos Red Hot Chili Peppers, um detalhe chamou sua atenção. “Lembro-me de ter pensado, ‘Esses caras são baixinhos'”, diz o baterista, rindo. “Sabia como eles eram. Já tinha visto as capas de seus discos e coisas do tipo, e pensava: ‘Esses caras devem ser monstros, uma imensa banda de rock’. Mas, quando cheguei, vi que eram pequenos, eu parecia um gigante entre eles. Foi um pouco bizarro. Mas deu tudo certo.” É claro que esse comentário é um tremendo eufemismo.

Durante os 29 anos transcorridos desde o lançamento do seu primeiro álbum, os Red Hot Chili Peppers venderam mais de 80 milhões de discos em todo o mundo, ganhando sete prêmios Grammy. No rádio, seus sucessos incluem hinos como Under the Bridge (1991), Give It Away (1991), Scar Tissue (1999), Otherside (2000), Californication (2000), By the Way (2002), Dani California (2006) e muitos outros, e sua mistura de funk, punk, hip-hop e rock melódico proporcionou um modelo criativo aproveitado por duas gerações subsequentes de bandas.

E o grupo, formado também pelos cofundadores Anthony Kiedis (vocais) e Flea (baixo), além do guitarrista Josh Klinghoffer, não está apenas aproveitando o sucesso conquistado. Enquanto são admitidos no Hall da Fama do Rock and Roll entre os homenageados de 2012, os Chili Peppers estão em turnê para promover seu décimo álbum de estúdio, I’m With You, que estreou em agosto na segunda posição da parada da Billboard.

“É algo que nos enche de humildade, cara”, diz Smith, de 50 anos, falando por telefone de Nova York. “Sinto-me realmente lisonjeado. Já toquei em tantas casas noturnas de Detroit (sua cidade natal) durante oito anos, sabe? Nunca, nem mesmo nos meus sonhos mais extravagantes… Se alguém tivesse me dito, ‘Ei, você vai se mudar para a Califórnia, vai se juntar aos Chili Peppers e vender milhões e discos, viajando pelo mundo todo e tudo o mais e, 25 anos mais tarde, será incluído no Hall da Fama do Rock and Roll’, eu teria respondido, ‘Você deve estar muito louco!'”

A aventura dos Chili Peppers começou no início dos anos 80, quando Kiedis, Flea, o guitarrista Hillel Slovak e o baterista Jack Irons, amigos que estudaram na Fairfax High School de Los Angeles, começaram a tocar juntos com o nome de Tony Flow and the Miraculous Mates of Mayhem. O guitarrista Jack Sherman e o baterista Cliff Martinez assumiram seus lugares na gravação do primeiro álbum da banda, homônimo, lançado em 1984, mas Freaky Styley (1985) trouxe Slovak de volta ao grupo, e Irons retornou para gravar The Uplift Mofo Party Plan (1987).

Smith recorda que o conjunto recebeu atenção da mídia, mas era tratado como “uma banda alternativa, universitária, não como uma Grande Banda de Rock”. A grande revolução na história do grupo quase não ocorreu. Aos 26 anos, Slovak morreu de overdose de heroína em 1988. Deprimido, Irons deixou a banda, mas Kiedis e Flea decidiram levá-la adiante, recrutando Smith e o guitarrista John Frusciante, que tinha então só 18 anos, como substitutos de Irons e Slovak, respectivamente.

O resultado das mudanças foi impressionante. Mother’s Milk (1989), primeiro álbum da nova formação Chili Peppers, ganhou o disco de platina e vendeu mais de 2,6 milhões de cópias em todo o mundo. Blood Sugar Sex Magik (1991) ganhou sete discos de platina, com 15,2 milhões de cópias vendidas, dando início a uma sequência de álbuns de imenso sucesso formada por One Hot Minute (1995), Californication (1999), By The Way (2002) e Stadium Arcadium (2006), discos que venderam milhões de cópias cada.

Mas tanto sucesso teve também doses de dramas, envolvendo saúde, abuso de drogas e, principalmente, os dois episódios em que Frusciante deixou a banda, o último em 2009. Smith diz que, felizmente, Klinghoffer “já estava na órbita dos Chili Peppers”. Assim, quando começamos a se perguntar quem seria o mais indicado para assumir as guitarras, Smith logo sugeriu Klinghoffer. De acordo com o baterista, as sessões de estúdio para a gravação de I’m With You foram as mais tranquilas que os Chili Peppers já tiveram.

Mas a turnê de I’m With You não escapou de contratempos. Kiedis teve de ser submetido a uma cirurgia no pé e grupo foi obrigado a atrasar a parte norte-americana da turnê, mas isso deu à banda mais tempo livre para começar o trabalho com material novo. “Simplesmente ensaiamos e bolamos novas ideias de músicas, tocando juntos por duas semanas”, informa o baterista. “E foi divertido. O som está cada vez melhor – fluindo naturalmente, como um conjunto de músicos que tocam juntos muito tempo, exatamente o que temos feito.”

TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

Comments

There is 1 comment for this article
  1. Lívio Oliveira
    Lívio Oliveira 26 de Abril de 2012 10:54

    Juntamente com o Coldplay é o que de melhor existe e resiste no atual mundo do Rock. “Californication” é um monumento. Se a banda vier para Recife, eu vou!

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