Os 80 anos de Maria de Lourdes Costa

Texto lido ontem (28) na festa de aniversário de mãe.

BOA NOITE, FAMILIARES, AMIGOS E AMIGAS

Nossas palavras iniciais, nesse momento, não poderiam ser outras senão de agradecimento. Primeiramente a Deus, por nos ter dado a graça de vermos nossa mãe chegar aos 80 anos. Em segundo lugar, a todos vocês que atenderam ao nosso convite.

Muito obrigado a todos.

Hoje estamos aqui para homenagear uma pessoa especial em todos os sentidos. Uma mulher feita numa fôrma que não existe mais. Forjada e calejada num contexto social que também não mais existe. Embora parte dos valores e crenças daqueles velhos tempos, e que nortearam sua trajetória, como honestidade, gratidão, trabalho e caráter, continuem sendo praticados e defendidos pelas pessoas de bem.

Diz um ditado que na vida, há os que vêm a passeio e os que vêm para lutar. Maria de Lourdes Costa, que homenageamos esta noite, figura, indiscutivelmente, entre estes últimos. Não conheceu descanso e ignorou tempo bom ou ruim para ir à luta. Nunca soube o que era férias na vida. O seu lazer e o seu prazer se resumiram ao longo dos anos ao trabalho e à dedicação aos filhos.

Lutou muito, suportou decepções e ingratidões imensas, mas não deixou a amargura ou o ressentimento tomarem conta de seu coração. Nunca pediu nada para si, sempre que bateu numa porta ou outra em busca de ajuda era pensando no sustento da numerosa família. Alguns aqui são testemunhas disso.

Sobre essa figura admirável, se pode dizer sem medo que travou o bom combate e manteve a fé, como registra Paulo em uma de suas epístolas. Muito certamente inspirada em outra grande mulher, Maria Constância Guimarães, sua mãe. Mulheres temperadas na dureza, fé e esperança que habitam a alma de todos os viventes do Sertão.

Num tempo em que às mulheres era destinado apenas cuidar da casa e dos filhos, ela foi além, chefiando o pequeno restaurante localizado no que era então o centro comercial de Santana do Matos. Isso ao mesmo tempo em que dava a luz quase um filho por ano, chegando a 17, dos quais onze estão aqui para contar a história.

Figuras ilustres, como juízes, médicos, funcionários públicos foram seus hóspedes ainda em Santana. Sempre levou jeito para esse ramo. Tanto que anos depois, já em Natal, sobreviveu junto com a família, primeiro com o lendário Hotel Santanense, na Avenida Rio Branco, e depois montando pensionatos na Vigário Bartolomeu, na Padre Pinto, na Gonçalves Ledo, onde alugava grandes casas que relocava, com isso garantindo o pão de cada dia.

Muitos dos que estão aqui passaram pelo Hotel Santanense ou por um dos pensionatos. Lembramos com saudade de cada um. Vocês fazem parte da nossa história.

“Uma mãe é para cem filhos. Mas onze ou cem filhos não são para uma mãe!”

E nesse mundo velho sem eira e nem beira, onde tudo é incerto e provisório resta o consolo do amor das mães, esse sim, certo, perene e incondicional.

Somente no coração das mães encontramos o verdadeiro amor.

E como diz Guimarães Rosa, em seu livro Grande Sertão: Veredas, “A bondade especial de minha mãe tinha sido a de amor constando com a justiça, que eu menino precisava. E a de, mesmo no punir meus demaseios, querer-bem às minhas alegrias”.

A hora é de realçar suas melhores qualidades. Como a solidariedade.

Aos conterrâneos e amigos nunca faltou. Sobretudo nas horas difíceis. Mesmo sem celular e WhatsApp mantém-se informada sobre a vida dos santanenses que moram em Natal. Visita os doentes e não perde missa ou enterro dos velhos amigos e conhecidos.

Olhando-se em retrospectiva, diante das dificuldades que enfrentou e que todos, ou quase todos aqui conhecem, é difícil acreditar que tenha conseguido oferecer aos seus onze filhos a oportunidade de ser alguém na vida. Mais parece milagre.

Oportunidade que agarramos e hoje trilhamos trajetórias pessoais e profissionais honradas e dignas. Exatamente como você nos orientou e sempre sonhou.

Num mundo repleto de maus exemplos e falsos heróis, você, mãe, com certeza é um ótimo exemplo a ser seguido. Sua força, dignidade e estoicismo serão sempre a inspiração e força maiores que nos farão ir em frente, a despeito das adversidades que a vida nos apresenta.

Agora, que o tempo implacável cobra o preço por tantos anos de trabalho e dedicação, é hora de reafirmarmos nosso amor e o compromisso em devolver-lhe pelo menos parte do muito que nos foi dado. E dizer que sim, valeu muito a pena sua luta, mãe querida, porque como lembra o poeta, “tudo vale a pena se a alma não é pequena”.

Por isso, que Deus a proteja sempre, te ilumine e que nós possamos sempre sentir e ter esse amor maior em todos os momentos de nossas vidas. Você foi o melhor presente que recebemos nessa vida.

E por mais que a terra gire, as estações se sucedam, o mundo e as vontades se alterem você será sempre a nossa estrela guia.

Obrigado por tudo mãe. Que Deus te abençoe.

Nós te amamos e estaremos juntos para sempre!

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