Os amantes do Café Flora

(Les Amants du Flore)

Por que temos tanto desejo de saber dos amantes? Quando os amantes são famosos, ai – então, o desejo vira um caso de voyeurismo. O filme “Os amantes do Café Flore” ambientado preferencialmente em Montparnasse, e Saint-Germain-des-Prés (onde fica o famoso Café de Flora) narra com bastante detalhe os amores entre o existencialista Sartre (Laurant Deutsch ) e uma bela Simone de Beuavoir. Ora, pois, Simone não foi uma mulher bonita nem tão pouco grande escritora. A autora do Segundo Sexo amou loucamente outros. No belo filme do café parisiense aparece seu grande amor pelo romancista americano Nelson Algren.

Surge, agora, o livro de memórias “A Lebre da Patagônia” – do francês Claude Lanzmann – narrando o seu caso de amor com a famosa feminista.

Sartre foi um intelectual brilhante e Simone apaixonou-se por seu intelecto e estrabismo, mas amou fisicamente outros homens em triângulos amorosos aparentemente consentidos.

Não sei por que estou falando isso. Talvez por gostar também de histórias de amor. E ter lido loucamente Sartre e Simone

Sartre está enterrado junto com Simone no famoso cemitério Pere Lachaise, em Paris. Quando visitar a França não deixe de ir no cemitério onde estão enterrados outros grandes como Balzac, Chopin, Proust, Jim Morrison e muitos famosos

No filme dos amantes do café dirigido por Ilan Duran Cohen, brilhantemente contracenados por Deutsch e Anna Mouglalis (Simone ), aparecem outros grandes escritores e suas frases célebres : Albert Camus, François Mauriac, Andre Malraux e Aragon. Não deixe de assistir o filme e amar.

O intelectual também pode ser um grande amante.

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Comentários

Há 4 comentários para esta postagem
  1. Marcos Silva 25 de fevereiro de 2011 16:14

    Querido amigo:

    Sempre comento os 200 milhões de brasileiros, acho-me até reiterativo em relação a isso. Lógica elementar: somente os pobres de Brasília foram planejados para a miséria pelos insignes Costa,Niemeyer e Kubtischek. Sim, o projeto foi bem executado para botar os pobres nas cidades satélite, onde estão até hoje – vc deve conhecer o cenário.
    Existe vasta bibliografia sobre Brasília que vc, com certeza, domina bem. Os pais da criança são responsáveis pela cidade, sim, embora o rebento viva numa sociedade mais ampla. Não dá para evocar a paternidade somente na hora de lhes render homenagens. Nem para dividir Brasília em projeto e depois. A cidade administrada, com exclusão dos miseráveis que a construíram e, depois, limparam e mantiveram de pé faz parte do projeto e foi muito bem sucedida. Vários estudiosos do tema consideram absolutamente coerente que a bela Brasília tenha sido tão alegremente ocupada pela ditadura que se lhe seguiu. E pela democracia que vivemos desde 1985.
    Dito isto, considero aqueles três senhores grandes talentos. E a culpa pelos desmandos brasilienses não é só deles, claro.
    Tenho dúvidas sobre a crítica de Lanzmann ao referido hotel e a Brasília serem coisas diferentes. A arquitetura disciplinar une os dois objetos. Alguém poderá objetar: toda Arquitetura é disciplinar (a herança do Panóptico)! Talvez… Mas é decepcionante que um talento maior, e comunista, caia no de sempre da Arquitetura.
    Gosto muito do Museu de Arte Contemporânea de Niterói (aliás, meio cilíndrico também), projeto de Niemeyer, belíssima relação interior/entorno. E tenho certeza de que Oscar sobreviverá bem aos arroubos retóricos de Lanzmann.
    Sobre o último: quem filmou “Shoah” tem direito a um péssimo humor; ainda mais porque, infelizmente, os holocaustos continuam.

  2. João da Mata 25 de fevereiro de 2011 15:27

    Marcos, penso que o que falas sobre Brasilia é outra coisa do que está sendo criticado no hotel planejado por Brasília

    Niemeyer é um genio. Transferir a capital do Brasil para o cerrado é
    uma crítica antiga que – penso- não dependeu só do arquiteto

    O projeto de Brasilia foi muito bem planejado e executado. O que foi feito depois, o que cresceu ninguem podia controlar..

    O projeto de Brasilia vinha sendo pensado muito antes de Niemeyer

    Voce podia comentar os 200 milhoes de brasileiros, frutos de um modelo capitalista” . Brasília não é diferente do Brasil e o povo vai onde tem dinheiro e emprego

  3. Marcos Silva 25 de fevereiro de 2011 13:51

    Lanzmann dirigiu um grande filme, “Shoah”, jamais lançado comercialmente no Brasil. Ele pode ser adquirido em importadoras de videos franceses. É uma obra-prima sobre o holocausto, recomendo a todos.
    Não concordo com a palavra “criminoso” em relação a Niemeyer, embora a encare como palavra de escritor (quer dizer: envolve mais coisas que o senso comum). Critico, todavia, aspectos da obra arquitetônica de Oscar, reconhecendo sua grande beleza plástica. Brasília contém problemas absurdamente graves e o um deles é o planejamento da miséria, com a exclusão dos trabalhadores pobres que a construíram – Niemeyer divide a culpa com Costa e Kubitschek. Nesse aspecto, nossa bela capital é um monumento ao capitalismo brasileiro e não sua superação via modernidade
    Sobre as relações amorosas de Lanzman com Beauvoir, confesso que prefiro um perfil vitoriano: não se fala em público sobre – lembro de Antonio Pitanga, indagado pela Imprensa sobre uma fã ardorosa por suas peripécias e seus atributos anatômicos em “Rio Babilônia” e limitando-se a dizer “dei conta do recado”. Considero grosseiro divulgar (ou “acusar” os outros de) relações amorosas e sexualidade em geral. Se um dos integrantes do par (ou do grupo) divulga, prefiro silenciar o assunto, não é de minha conta.

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