Os anos 80, meu tempo louco

Um comentário de Anne no meu mais recente post me fez lembrar (como uma madeleine proustiana) de uma época bem peculiar em minha vida, quando estava num processo de adolescência muitíssimo complicado, a pele do rosto estourada, ouvindo muito rock (Iron Maiden – foto -, Ozzy Osbourne, Ronnie James Dio, AC/DC, Whitesnake, Saxon, Deep Purple, Pink Floyd, Led Zeppelin, Viper – que era a banda do meu primo Felipe Machado ), e dando os primeiros beijos de boca nas meninas, além de me rebelar contra a forma quadrada do ensino católico (meu querido Colégio das Neves, quantas saudades!) e contra as regras do mundo social, tendo me iniciado nos rituais muito masculinos das bebidas alcoólicas, experimentando os meus primeiros e loucos porres (que se multiplicariam depois- rsrsrsrs).

Gustavo de Castro, que foi um dos meus colegas mais irreverentes e mais talentosos, deve ter também muitas histórias para contar sobre aquela época.

Eram os anos 80.

Naquele período, mais especificamente entre 1985 e 1986, eu fiquei tão baratinado que entrei em recuperação pela primeira vez, e logo em cinco matérias. Eu, que nunca tinha nem passado perto de recuperação escolar…só me salvava nas provas de história, geografia e língua portuguesa, matérias que sempre adorei.

Passei a gazear aulas e ir curtir shows de Cazuza, Legião Urbana, Lobão, Ultraje a Rigor, Paralamas do Sucesso, Kid Abelha, Biquini Cavadão, Capital Inicial… todos lá no “saudoso” Palácio dos Esportes ou no estádio Juvenal Lamartine.

Pedalava a minha “magrela” de dez marchas todos os dias e, nos finais de semana, ia para Genipabu, Ponta Negra, Praia dos Artistas, ou outra praia qualquer, fazer farras homéricas com os meus amigos, regadas a cerveja, cachaça ou vinho Sangue de Boi e forradas por caranguejos, ostras e outros petiscos menos votados.

Era uma época de sonhos, muitos sonhos. E muita, muita irresponsabilidade.

Minhas saudades, hoje renovadas, envolvem também a esperança de formatar novos sonhos…talvez, com menos loucuras. (rsrsrs)

Advogado público e escritor/poeta. Membro da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras. [ Ver todos os artigos ]

Comentários

Há 6 comentários para esta postagem
  1. Marcos Silva 4 de março de 2011 11:49

    Lívio:

    Confesso que eu vi o Rock in Rio com saudades de Woodstock: Hendrix, Santana etc. O rock tinha vivido, antes, momentos muito melhores.
    Mas a fila realmente anda: precisamos ver, ouvir e ler o que está sendo feito, pode surgir coisa excelente onde menos se espera.

  2. Lívio Oliveira 4 de março de 2011 10:28

    Grande Marcos, alvíssaras carnavalescas!
    Será que um dia encontro essa tal razão? rsrsrsrs
    Abraço forte!
    p.s. Vi o Rock’n Rio pela TV e gostei muito. Talvez tenha observado sob ângulo diferente do seu.

  3. Lívio Oliveira 4 de março de 2011 10:25

    Meu compadre Jarbas, todos os meus anos foram e têm sido loucos. Nem sei se vale a pena contá-los, mas às vezes dá uma vontade…
    Abração.

  4. Marcos Silva 4 de março de 2011 9:41

    Lívio:

    Legal lembrar disso de maneira ativa: não é puro passado, essas necessidades estão fortes, o mundo está aí.
    Meus anos loucos foram a passagem dos 60 para os 70 sob o signo da caretice pois sempre bebi pouco, nunca fumei tabaco e meus maiores alucinógenos eram mesmo Literatura, Cinema e Artes Visuais. Mas eu estava vivo nos 80, começando a lecionar na USP, indo com minha mulher pra apresentações de Ultraje a Rigor e Língua de Trapo. Gosto especialmente de Cazuza e Marina Lima, daquela época. Kid Abelha, pra mim, é Paula Toller – mais complicado que, na geração anterior, Mutantes/Rita Lee. O Rock in Rio (1985), pela tv, foi uma decepção sonora, sobravam perucas e maquiagens.
    É lucidez/desatino: sair da razão dominante mas buscar outra razão.
    Essas loucuras têm seu método.

  5. Jarbas Martins 4 de março de 2011 9:21

    sou leitor alucinado, sabia, por biografias, talvez porque procurem mostrar verdades escondidas, coisa próxima da poesia.quanto à biografia chapa branca…é um crime, espécie de estelionato, tou certo? gostei de sua memória fragmentada.abraço, poeta e amigão.retorne com outros biografemas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ao topo