Os cantos de Maldoror

LAUTRÉAMONTÍSSIMO
Por Moacy Cirne

Provavelmente, na história da literatura ocidental não existe nada mais “subterrâneo” ou “repelente”, em sua amargura existencial autodestrutiva, do que Os cantos de Maldoror, de Lautréamont, publicado em 1869: porrada pura. Um soco no estômago de tal modo violento que a sua leitura não é para qualquer um, sobretudo aqueles mais sensíveis. Não há, inclusive, sequer como classificá-lo dentro dos padrões literários conhecidos. Prosa poética? Só se for como uma prosa poética que renega a poesia, a emoção pensada de forma “tradicional”, ou mesmo qualquer sentido de humanismo ou humanidade. Um livro que vai além do livro, que vai além da literatura, até por que não tem uma “história” no sentido comum do enredo. E mais ainda: que vai além do próprio desespero, com suas perversões e crueldades inimagináveis. Um livro único escrito com sangue, suor e porra. Se o Demônio existisse, diríamos que Maldoror seria de sua autoria. Ou seja, uma obra-prima.

Do blogueiro: Fiquei curioso para ler esse livro. Meu receio é quando Moacy cita o estilo próximo ao da “prosa poética”. Associei de imediato a Fausto, de Goethe. Simplesmente não consegui ler esse livro. E juro que tentei, com dicionário ao lado. Foi inútil. Preferi as inúmeras resenhas a respeito. Vou averiguar essa obra de Lautreamont. Se Moacy puder estreitar os caminhos…

Comentários

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  1. Moacy Cirne 29 de janeiro de 2010 10:11

    Meu caro,
    'Maldoror' não é um livro difícil
    (e eu mesmo, no texto gentilmente reproduzido por você, me interrogo se devemos classificá-lo como "prosa poética"): é um livro duro, eventualmente sufocante, dilacerante, com uma temática centrada na mais pura autodestruição. Decerto, algumas pessoas não conseguirão ir além das primeiras páginas, não por ser "dificil", mas por ser incômodo.

    Um abraço.

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