Os concretistas foram excelentes

Gustavo e João:

Penso que os irmãos Campos e Pignatari produziram poesia de excelente qualidade e algumas das melhores traduções brasileiras. O volume de Poesia Russa (junto com Bors Schnaiderman) e os poemas concretos inaugurais são de excepcional nível. Haroldo era também um grande erudito, tanto no ensaio (o texto sobre Macunaíma é de grande interesse, apesar das legítimas restrições que lhe fez Gilda de Mello Souza no excelente “O tupi e o alaúde”) quanto em suas incursões poliglotas da vida inteira. E as revisões críticas que fizeram da Literatura brasileira são dignas de atenção, incluindo a rediscussão do romântico Sousândrade.

Ruim é o tardo-coronelismo dos três em relação à Poesia brasileira, a fúria centralista de colocar o Concretismo como ponto de chegada e ponto de partida de tudo, a dificuldade para conviver com o que foi surgindo depois deles.

As notícias recentes de Natal sobre Décio lembram um safári furioso e talvez suicida. Mas esse panorama lastimável não deve fazer esquecer aquele passado glorioso.

Abraços:

Nasci em Natal (1950). Vivo em São Paulo desde 1970. Estudei História e Artes Visuais. Escrevo sobre História (Imprensa, Artes Visuais, Cinema Literatura, Ensino). Traduzo poemas e letras de canções (do inglês e do francês). Publiquei lvros pelas editoras Brasiliense, Marco Zero, Papirus, Paz e Terra, Perspectiva, EDUFRN e EDUFRJ. Canto música popular. Nado e malho [ Ver todos os artigos ]

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