Os dois shows de Baby Consuelo no Centro Histórico

Foto: Márlio Forte

Baby Consuelo fez dois shows distintos no centro histórico. Em um mostrou sua música e a dos Novos Baianos, acompanhada por uma ótima banda, que mereceu palmas e elogios generalizados; no outro destilou fundamentalismo, intolerância e homofobia, e por este recebeu duras críticas, também generalizadas, e nem podia ser diferente.

A apresentação passava um pouco da metade e eu postei no Facebook que estava acontecendo o melhor show do carnaval até aquele momento. Mantenho a opinião, foi um show sensacional. A cantora demonstrou muita simpatia, interagiu e criou uma empatia bacana com a platéia e fez um show, do ponto de vista artístico, impecável, com ajuda do guitarrista Pedro Baby, seu filho com Pepeu Gomes, e de Paulinho Boca de Cantor.

O show estava tão bom que eu não me aborreci com suas pregações evangélicas pontuais e curtas. Relevei. Mas, no final as declarações homofóbicas (uma delas: “Todo homem para mim é homem. E talvez o que tenha faltado para eles foi uma grande mulher”) e ela ter se negado a receber a homenagem das Kengas, a coroa de madrinha (uma tiara, na verdade), dizendo que na cabeça dela só cabia a coroa de Jesus Cristo passaram dos limites. Foram atitudes desrespeitosas, indesculpáveis e merecem repúdio.

Feio, muito feio o que a cantora protagonizou. Erraram a produção local do evento e a empresária da cantora. A primeira por contratar uma evangélica para uma festa de carnaval, a mais profana de todas, e no caso específico, de celebração à diversidade sexual e contando com um desfile de homossexuais. A segunda por saber como seria a festa e ter aceitado o convite.

Baby sabia o que a esperava, então também pisou feio na bola, ninguém estava ali pra ouvir pregação religiosa ou declarações homofóbicas. Mas sim ouvir sua música e divertir-se. Tomara que o episódio sirva de lição e se preste mais atenção no próximo ano na hora de contratar esses artistas.

O episódio me fez refletir sobre como o ser humano é contraditório e surpreendente. Porque nada mais longe de religião, fundamentalismo e intolerância, caretice em geral, do que a música de Baby e dos Novos Baianos. Aí vem a cantora e faz um discurso em absoluto antagonismo com o caráter dionisíaco, alegre e tropicalista da sua música. É de deixar qualquer um de bobeira.

Mas esse não foi o único problema do show, que começou com mais de uma hora de atraso. Algumas pessoas conhecidas foram embora e muita gente reclamou. Eu aguardei sentado nas escadas da Assembléia Legislativa, pelo menos pra isso aquela casa serve. Uma saída teria sido colocar a banda de frevo que estava lá para tocar no longo intervalo entre o fim do desfile da kengas e o início da apresentação da cantora. Fica a dica.

Comentários

Há 2 comentários para esta postagem
  1. Marcos Silva 12 de fevereiro de 2016 4:37

    Os Novos Baianos gravaram uma obra-prima (Acabou chorare), Baby e Pepeu gravaram canções bonitas em seguida. Não basta? Para que trazer Baby, hoje, em contextos que ela agride? Sim, foi horrível o que aconteceu. Melhor reouvir aqueles discos antigos.

  2. Flávio 11 de fevereiro de 2016 7:07

    A BABY, além de comentário infelizes, o que mais deixa indignação, são os organizadores da festa, não ter colocado ela para fora do show.

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